Texto bíblico:
O segundo mandamento trata do pecado de idolatria e por isso se relaciona ao artesanato de imagens e figuras “do que há encima nos céus [...] em baixo na terra [...] nas águas debaixo da terra” com o propósito de serem adoradas como poderes e divindades. Contudo, Moisés é instruído por Deus a fazer "dois querubins de ouro; de ouro batido" (v. 25:18). Se é errado fazer qualquer tipo de imagem, então por que Deus ordenou que Moisés fizesse imagens para pôr na arca da aliança? A conexão entre o primeiro mandamento, “Não terás outros deuses diante de mim” (V. 3), e o segundo é muito íntima, e fornece um contexto no qual se pode entender o intento real e total dessa proibição. A ordem tem prosseguimento no v. 11 e específica: “Não as adoraras, nem lhes Darás cultos”. Em outras palavras, não se poderia produzir imagens de pessoas ou coisas que pudessem tornar-se objetos de culto, como se fossem sobrenaturais ou divinas. As passagens citadas a respeito desta questão esclarecem muito bem que Deus tencionou extirpar a idolatria. Êxodo 25. 18,20 especificam: “Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório [...] os querubins estenderão as suas asas por cima do propiciatório, cobrindo-o com as asas, tendo as faces voltadas um para o outro; as faces dos querubins estarão voltadas para o propiciatório”.
No grande templo de Salomão, o lugar santíssimo deveria ser
guardado por duas imagens de querubins com pelo menos 5 a 6 metros de altura
com envergadura de dez cúbitos (1Res 6. 23-27). É claro que eles não seriam
vistos pelo publico por causa de sua localização no Santo dos Santos; uma
cortina ou véu os protegia dos olhos do povo lá fora. Por isso, não havia a
possibilidade de virem a tornarem-se objetos de adoração. Mas havia também
figuras de querubins gravados, isto é, entalhadas nas paredes do lugar
santíssimo, ao lado de palmeiras e flores abertas (6. 29,32). Aparentemente não
havia a menor possibilidade de essas imagens virem a tornarem-se objetos de
culto, ao serem usadas como ornamentação, segundo um padrão repetitivo. Deve salientar
que a ordem para construir tais objetos fora dada por Deus, nada feito pelo
homem, tal como um ídolo.
Além disso, a proibição não é de se fazer
qualquer imagem de escultura para fins decorativos, mas de fazer imagens para
qualquer tipo de adoração religiosa. Em outras palavras, a ordem era
para não adorar nenhum outro Deus nem imagem de qualquer Deus. Aqueles
querubins não foram dados a Israel como imagens de Deus, mas de anjos. Nem foram
dados para serem adorados. Daí a conclusão de que não há como a ordem de
fabricá-los possa violar o mandamento de Êxodo 20.
Finalmente,
a proibição em Êxodo 20 não foi contra a arte religiosa como tal, o que inclui
coisas no céu (anjos) e na terra (homens e animais). Ela foi contra o
uso de qualquer imagem como ídolo. Que se pode depreender que o texto tinha em
mente a idolatria é evidente, pelo fato de haver a instrução: "não te
encurvarás a elas, nem as servirás" (Ex 20:5, SBTB). A distinção entre o
uso não-religioso e o uso religioso de imagens é importante:
O USO DE IMAGENS
PROIBIDO
|
PERMITIDO
|
Objeto de
adoração
|
Não um
objeto de adoração
|
Designadas
pelo homem
|
Designadas
por Deus
|
Com
propósito religioso
|
Com
propósito educacional
|
Para representar
a essência de Deus
|
Para
afirmar a verdade
|
Sem
qualificações
|
Com
qualificações
|
Até
mesmo a linguagem utilizada para referir-se a Deus na Bíblia contém imagens.
Ele tanto é pastor como pai. Mas essas duas imagens qualificam-no de
forma apropriada, Deus não é simplesmente um pai qualquer. Ele é o nosso Pai
Celestial. De igual modo, Jesus não é um mero pastor, mas o Bom Pastor, que deu
a sua vida por suas ovelhas (Jo 10:11). Nenhuma imagem finita, sem
qualificação, pode ser aplicada apropriadamente ao Deus infinito. Fazer isso é
idolatria. E ídolos são ídolos, quer sejam mentais ou de metais.
MARIOLATRIA
Os santos, os anjos e especificamente a
Virgem Maria são abertamente objetos de culto na igreja de Roma. Os romanistas costumam
distinguir entre cultus civilis devido a superiores terrenos ; doulos-sujeição devido aos anjos; a iperdouleia-mais do que uma sujeição devido à Virgem Maria; e a latreia- adoraçaõ devida unicamente a Deus . o principio é este: Qualquer homenagem, interna ou
externa, que envolve a imputação de atributos divinos a seus objetos, se tal
objeto é uma criatura, é idolatria. Se a homenagem tributada pelos Romanistas
aos santos e aos anjos é idolatria ou não, é questão de fato mais que teoria;
ou seja, deve ser determinada pela homenagem realmente prestada e não pelo que
é prescrito.
A invocação dos santos praticada na igreja de Roma é
idolatria: buscam-se bênção da parte dos santos, bênçãos que somente Deus pode
conceder; e se lhes confere atributos que só pertencem a Deus. Buscam das mãos
deles todo tipo de bênção, temporal e espiritual, e busca-se diretamente deles
como se fossem os doadores. Diz eles que é correto dizer: “São Pedro ,
salva-me; abre-me as portas do céu; concede-me arrependimento, coragem ”etc.
somente Deus pode conceder tais bênçãos; e afirmar-se ao povo que as busque das
mão de criaturas. Isso é idolatria.
A mãe de nosso Senhor é considerada por todos os
cristãos bendita, a mais favorecida dentre as mulheres . nenhum membro da
família humana apostatada teve honra tão grande como a que ela recebeu ao
tornar-se a mãe do Salvador do mundo. A reverência a ela devida como tão
sublimemente favorecida por Deus, e como aquela cujo coração foi transpassado
por muitas dores, abriu caminho para que fosse considerada o ideal de todas as
graças e exelencias femininas, e gradualmente tornou-se objeto de honras
divinas, ao ir perdendo a igreja, paulatinamente, sua espiritualidade.
A dedicação da Virgem Maria na igreja de Roma foi um
processo lento. O primeiro passo foi a declaração de sua virgindade perpetua.
O segundo passo foi a declaração de que o nascimento do Senhor , e igualmente
sua concepção, foi supernatural. O terceiro passo foi a solene e autoritativa
decisão do concilio ecuménico de Éfeso, em 431 d.C.,de que a Virgem Maria era
“Mãe de Deus”. Sobre essa decisão pode observar o seguinte:
a.
Que foi formulada
mais como uma vindicação da divindade de Cristo do que como uma exaltação da
gloria da bem- aventurada Virgem. Teve sua origem na controversa nestoriana.
Nestorio foi acusado de ensinar que o logos apenas habitou no homem jesus,
deduzindo-se daí que ele cria que a pessoa nascida da virgem era simplesmente
humana. Foi para realçar a declaração de que a pessoa assim nascida era
verdadeiramente divina que os ortodoxos insistiram na tese de que a Virgem
deveria ser chamada a Mãe de Deus.
b.
Há certo sentido
em que a designação é própria e conforme à analogia da escritura. A Virgem foi
a Mãe de Cristo; Cristo é Deus manifestado na carne; portanto, ela foi a Mãe de
Deus. Nas palavras de Francisco Lacueva, é muito mais exato falar dela como Mãe
daquele que é Deus. Mãe de Deus, porem , da a impressão de que Maria é mãe de
Deus como Deus; em contra partida, Maria foi um vaso escolhido por Deus para que
Aquele Que era eternamente Deus como Pai, o verbo se encarnasse, tomando a
natureza humana no seio de Maria. E assim de Maria não se pode dizer que fosse
a Mãe de Deus.
Seja qual for a explicação, o fato é que a decisão do
Concilio de Éfeso marca uma época no progresso da dedicação da virgem.
O quarto passo, ela foi declarada deificada. Foi chamada
rainha do céu, rainha de Reinos; declarou-se que ela estava exaltada acima de
todos os principados e potestade; sentada á adestra de Cristo, participando com
ele do poder universal e absoluto, o qual lhe foi entregue. Todas as bençãos da
salvação eram buscadas da suas mãos, bem como a proteção de todos os inimigos e
a libertação de todo mal. Permitiu-se e ordenou-se que lhe dirigissem orações,
hinos e doxologia. Todo o saltério foi transformado em um livro de louvor e de
confissão à Mãe de Cristo. O que na bíblia se diz a Deus e de Deus, nesse livro
dirige-se à Virgem. No salmo primeiro , por exemplo, esta escrito: “Bem –
aventurado o homem que não anda no conselho dos impios” etc. no saltério da
Virgem está escrito: “Bem-aventurado o homem que ama teu nome, ó Virgem Maria;
Tua graça consolara tua alma. Como árvore plantada junto a correntes de águas,
dará os mais ricos frutos de justiça ”. no salmo segundo dirige-se diretamente
à Virgem esta oração: “protege-nos com tua destra, ó Mãe de Deus” etc. no Salmo
9: “Confesar-te-ei, ó Senhora; declararei todos os teus louvores gloria. Ati pertence
a gloria e a ação de graças e a voz de louvor”. Salmo 15 “Guarda-me, ó Senhora,
porque em ti tenho confiado”. Salmo 17: “Amar-te-ei, ó Rainha dos céus e da
terra, e glorificarei teu nome entre os gentios”etc. a Virgem é sempre invocada da
mesma forma como o salmista invocava a Deus. E as bênçãos que o salmista
buscava em Deus, o romanista é ensinado a buscar nela.
Da mesma forma, parodiam-se os mais santos ofícios da
igreja. Por exemplo. O Te Deum é transformado em invocação à virgem. “Louvamos-te,
Mãe de Deus; reconhecemos –te como virgem. Toda a terra de adora, esposa do Pai
eterno. Todos os anjos e arcanjos, todos os tronos e poderes, finalmente te
servem. A ti chamam os anjos, com uma voz sempre incessante: Santa, Santa Maria,
Mãe de Deus... Toda a corte celestial te
honra como rainha. A santa igreja por todo o mundo te invoca e te louva, mão de
divina majestade... Tu estás sentada com teu Filho à destra do Pai ... Em ti,
dulcíssima Maria, está a esperança nossa; defende-nos sempre. O louvor te
pertence; o império te pertence; virtude gloria sejam a ti para sempre e
sempre”.
A Virgem Maria é para seu adoradores o que Cristo é
para nós.ela é objeto de todos o seus afetos religiosos, a base de sua
confiança e a fonte da qual se esperam e se buscam todas as bênçãos da salvação.
Isto não pode ser considerado como uma simples homenagem ou reconhecimento, isto
é proskineo- adoração.
Referencias: Gleason
Archer -enciclopédia de dificuldades bíblicas; Charles Hodge- teologia sistemática;
bíblia da mulher.
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