quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O PROBLEMA DO MAL


A pergunta que muitos de nós fazemos: “Se Deus é tão bom e poderoso porque o mal existe?” Esta pergunta, sem duvida deve ser encarada como um problema, por isto os teólogos a chama de “O problema do Mal”.
O problema do mal tem uma importância singular para a apologética cristã por três motivos:
1.       O problema do mal é o único argumento a favor do ateísmo
2.       O problema do mal é universal
ü  Todos se perguntam por que coisas ruins acontecem a pessoas boas; e alguns questionam por que coisas ruins acontecem de qualquer maneira.
3.       O problema do mal é pratico
ü  O problema do mal não é meramente teórico, mas bastante pratico. Não é simplesmente uma alienação entre dois conceitos – o de Deus e o mal-, mas a alienação de uma criança que contempla seu pai, e com os olhos cheios de lagrimas, pergunta-lhe: “Por que o Senhor permitiu que eu sofresse tanto?” O cerne do problema do mal se encontra nas declarações feitas por Cristo na cruz: Meu Deus! Meu Deus! Por que me desamparastes?(Mateus 27. 46).
É difícil compreender a razão de Deus tolerar o mal. Mas, deve-se considerar que, se a sabedoria de Deus é infinitamente superior à nossa, não podemos compreender todos os seus caminhos. Quem somos nós, os atores no palco, para dar opiniões ao diretor da peça? Como é triste vê o vaso tentando ensinar ao oleiro.
Agostinho fez uma formulação ampla do problema do mal
1.       Se Deus é totalmente bondoso, desejaria a totalidade do bem e nenhum mal.
2.       Se Deus fosse todo-poderoso, poderia realizar tudo que desejasse.
3.       Entretanto, o mal existe tanto como o bem.
4.       Portanto: ou Deus não é todo-poderoso, ou não é totalmente bondoso, ou ambos.
Observe algumas conclusões:
1.       Se Deus existe, deseja todo o bem e é poderoso o suficiente para conseguir tudo que deseja; então, não deveria haver mal.
2.       Se Deus existe e deseja apenas o bem, então Deus não consegue tudo que deseja. Portanto ele não é todo poderoso.
3.       Se Deus existe e é todo-poderoso, se o mal também existe; então Deus deseja que o mal exista. Portanto ele não é totalmente bondoso.
4.       Por fim, se o termo Deus significa um ser que ao mesmo tempo é totalmente bondoso e todo-poderoso, e ainda assim o mal existe; então, esse Deus não existe.
A RECONCILIAÇÃO DE SEIS ELEMENTOS APARENTEMENTE IRRECONCILIÁVEIS 
a.       A onipotência divina
b.      A benevolência divina
c.       A existência do mal
d.      A presciência de Deus que aparentemente força todos os acontecimentos, incluindo os de má natureza, ou que deixa de impedi-los.
e.      A doutrina bíblica da predestinação.
Uma citação de Epicuro põe em foco esse problema, que estamos discutindo: “ Ou Deus deseja remover o mal deste mundo, mas não pode fazê-lo; ou ele pode fazê-lo, mas não o quer;  ou não tem nem a capacidade e nem a vontade de fazê-lo. Ora, se Ele tem a vontade, mas não a capacidade de fazê-lo, então isso mostra fraqueza, o que é contrario a natureza de Deus. Se El tem a capacidade, mas não a vontade de fazê-lo, então Deus é mal, e isso não é menos contrario a sua natureza. Se ele não tem nem capacidade e nem a vontade de fazê-lo então é ao mesmo tempo  impotente e mal e, conseqüentemente não pode ser Deus. Mas se ele tem tanto a capacidade como a vontade e remover o mal do mundo, de onde procede o mal? E por que Deus não o impede?”
DUAS DIFERENÇAS
1.       O mau moral: é o mal que se deriva da vontade permissiva do homem, da falta de amor do homem para com o seu semelhante
2.       O mal natural: os desastres, os terremotos os incêndios, os acidentes, as enfermidades e a morte que é o maior de todos os males naturais.
Porque esses males existem? Por que Deus permite tais condições, sabendo de antemão que acontecerão, e sendo possuidor do poder de impedi-los? Antes de tudo, por que El permitiu que o mal entrasse no universo?
DIVERSAS SOLUÇÕES PROPOSTAS
1.       O ponto de vista Natural.
De acordo com essa idéia o Deus pessoal, onipotente e benévolo é substituído. Tudo que existe é apenas a matéria, e tudo quanto existe é apenas movimento da matéria. O mal é meramente alguma forma de perversidade ou  acontecimento adverso acidental, que atinge coisas inteiramente materiais
Porém, de conformidade com esse ponto de vista, o homem é reduzido a um ser desamparado. O existencialismo atue que se apega a esse parecer, chega ao extremo de dizer que o homem é uma piada da natureza. Sua existência ocorreu por um acaso, em um mundo caótico.
2.       O ponto de vista deísta
De acordo com esse pensamento existe um Deus, que é criado. Todavia, Deus não se faz presente no mundo, e nem mantém qualquer interesse pelo mesmo. Não galardoa e nem pune às suas criaturas morais e nem orienta as leis naturais que ele mesmo pôs em movimento, mas antes, abandonou-as como coisas inteiramente mecânicas, a fim de que governassem sozinho o oniverso. Se essa teoria fosse correta, então a bíblia teria que ser queimada, pois ela nos mostra um Deus interessado pelas suas criaturas.
3.       O ponto de vista pessimista
Os que tomam essa posição afirmam que Deus realmente existe e é onipotente; porém, não é um Deus benévolo. Assim sendo, o mal existe realmente, e até pode ser provocado pelo exercício da vontade de Deus.
4.       Voluntarismo cristão
Tudo que importa é a vontade de Deus. Se Ele salva ou condena é problema dele. Alguma coisa é certa porque o faz. Ele não faz coisa alguma porque é certa por algum tipo de lei exterior à vontade dele
5.       Dualismo.
O bem existe; o mal existe. Nunca existirá uma reconciliação entre estes dois elementos. Continuam em guerra. O bem vai vencer, afinal, mas só no sentido de efetuar uma separação entre os dois princípios, não no sentido de eliminar o mal. Nesta briga entre o bem e o mal, nós estamos no meio desse conflito sofrendo as conseqüências. 
6.       Ponto de vista do otimismo
A despeito de seus muitos problemas o mundo é o melhor dos mundos. Alguns politeístas aceitavam a existência de algum  deus ou deuses bons, que não eram todo poderoso, ou seja, não eram onipotentes; e que por isso não conseguiam deter o poder do mal, sobre o mundo.
7.       Ponto de vista cristão; diversas idéias:
ü  Alguns cristãos aceitam a realidade do mal, mas limitam o poder de Deus, apesar de manterem a sua bondade. Esses têm a esperança de que o bem um dia conseguirá triunfar, finalmente.
ü  Teólogos - filósofos como Agostinho e Tomás de Aquino, têm procurado solucionar o problema da existência do mal, afirmando que o mal, como uma entidade positiva realmente não existe. O mal seria algo negativo, isto é, a ausência do bem, o vácuo, tal como o frio é a ausência do calor ou como as trevas são a ausência da luz. O mal existirá no homem interior, visto que no homem  existe um vácuo da boa influencia divina
ü  Alguns cristãos têm procurado encontrar soluções, parecidas negando a realidade da presciência de Deus. Mas essa posição faz de Deus menos do que Deus, e não é apoiada pelas escrituras.

O PONTO DE VISTA DO NOVO TESTAMENTO
ü  Sob hipótese alguma se pode pensar que Deus é o originador do mal.
ü  Tanto os seres angelicais como o homem foram feitos dotados de livre-arbítrio, o que significa que tem a potencialidade de se inclinarem para o mal. O fato do mal é atribuído a queda. (Gn 1; Isa 14. 12; Rom 5. 12)
ü  O problema surge quando aplicamos a presciência de Deus e sua onipotência, juntamente com sua benevolência. Deus percebeu que o mal se aproximava, e poderia te-lo impedido ; no entanto, não fez nada. Por quê? Podemos dizer que existe algo mais importante para Deus do que impedir o mal; que deve haver algum alvo mais elevado, que ocupou o lugar mais importante nos pensamentos de Deus.
ü  Por que o mal continua. O mal continua no mundo pelos seguintes motivos; 1) para servir de lição objetiva para o homem; 2) para servir de punição contra o pecado; 3) para servir de testemunho do fato de que praticar o bem é melhor do que praticar o mal; 4) parta servir de contraste com a verdade e bondade de Deus, o que mostra aos homens em que consiste a santidade verdadeira; 5) tragédia , desastres , doenças e morte, nos ensina que somos criaturas dependentes, isto é , devemos depender de Deus para a estabilidade, paz, bondade. Só em Deus temos a nossa eternidade
Por meio do Mal Deus ensina a grande Lição aos homens que é melhor seguirem a ele do que ao diabo, porquanto todas as maçãs do diabo têm vermes ocultos, finalmente o bem devera ser livremente preferido, devido ao seu próprio valor intrínseco. Por meio do mal que há no mundo, Deus é capaz de mostrar-nos quão excessivamente maligna é a natureza do pecado. A alma humana sempre sofre o que merece, devida às suas ações.
Se eu fosse Deus…
...
Se eu fosse Deus…
Não haveria mais: o adeus solene,
A vingança, a maldade, o ódio medonho,
E o maior mal, que a todos anteponho,
A sede, a fome da cobiça infrene!
Eu exterminaria a enfermidade,
Todas as dores da senilidade,
A criação inteira alteraria,
Porém, se eu fosse Deus…
(Martins Fontes, Santos, 1884-1937)
Não podemos chegar ao ponto da blasfêmia que assevera, conforme têm ditos alguns: se eu fosse Deus, teria criado um mundo melhor, ficando subtendido que não existe nenhum Deus criador.  
Reflita nesta ilustração.
Um homem foi ao barbeiro.
Enquanto. Seus cabelos eram cortados conversava com o barbeiro, falando da vida e de Deus.
Daí a pouco, o barbeiro, incrédulo, não agüentou e falou:
- Deixa disso, meu caro, Deus não existe!
- É claro que Deus existe.
- Ora, se Deus existisse não haveria tantos, miseráveis, passando fome! Olhe em volta e veja quanta tristeza. E só andar pelas ruas e enxergar!
O freguês pagou o corte e quando ia sair da barbearia avistou um maltrapilho imundo, com longos e feios cabelos, barba desgrenhada, suja, abaixo do pescoço. Deu meia volta e disse para o barbeiro:
- Sabe de uma coisa, não acredito em barbeiros!
- Como assim...? riu-se o barbeiro.
- Se existissem barbeiros, não haveria pessoas de cabelos e barbas compridas como aquele ali, por exemplo!
- Ora, este sujeito ali está assim porque, evidentemente, faz tempo que não vai a um barbeiro!
- Que bom que agora você entendeu tudo, respondeu o freguês.

Chegai-vos para Deus, e ele se chegará para vós. Tiago 4. 8


Referencias

N R Champlin- Enciclopédia bíblica de filosofia e teologia; Peter Kreeft/ Ronald K. Tacelli- Manual de Defesa da Fé, apologética Cristã


Autor da ilustração: Carlos E. Faiz
Fonte: O MENSAGEIRO, edição 2005, pg. 64.


Um comentário:

leandro disse...

Este blog vai servir para quem quer aprimorar seus conhecimentos e tirar suas duvidas!

Muito bom!

Minhas Postagens

... A BÍBLIA É O FENÔMENO EXPLICÁVEL APENAS DE UM MODO – ELA É A PALAVRA DE DEUS...

... A BÍBLIA É O FENÔMENO EXPLICÁVEL APENAS DE UM MODO – ELA É A PALAVRA DE DEUS...
O fato de que Deus nos deu a Bíblia é evidencia e exemplo de seu amor por nos, nos ensinando a manter um relacionamento correto com Deus, mas como podemos ter evidencias de que a Bíblia é mesmo a palavra infalível de Deus e não simplesmente um bom livro? O que é único na Bíblia que a separa dos demais livros escritos até hoje? A Bíblia é a verdadeira Palavra de Deus, divinamente inspirada, e totalmente suficiente para todas as questões de fé e prática. Não pode haver duvidas sobre a veracidade bíblica. Ela não é um livro que um homem escreveria se pudesse, ou que poderia escrever se quisesse.

QUE TEMPO CURTO!

QUE  TEMPO CURTO!
Se for ensinar, haja dedicação ao ensino (Rm 12.7b). Quase todos nós já passamos pela experiência de ver um professor da Escola Dominical ser surpreendido pelo soar do sinal anunciando o término da aula. Muitos são os professores e alunos que vivem se queixando do pouco tempo reservado para o estudo em classe. Alguns professores chegam dizer, frustrados, que a aula terminou exatamente quando começava a tratar da melhor parte do seu conteúdo. A questão não é falta de tempo e sim de planejamento. Quando não há planejamento da aula, não importa o tempo a ela reservado, tudo sairá atabalhoadamente dando a impressão de que está faltando algo. Quando existe planejamento, mesmo que o tempo seja curto, haverá produtividade e satisfação na aula dada. O problema não é o tempo, reafirmo, mas o planejamento. O planejamento de uma aula para a Escola Dominical deve levar em consideração vários fatores.

Alguém precisa fazer algo!

Alguém precisa fazer algo!
JANELA 10/40 é uma faixa da terra que se estende do Oeste da África, passa pelo Oriente Médio e vai até a Ásia. A partir da linha do equador, subindo forma um retângulo entre os graus 10 e 40. A esse retângulo denomina-se JANELA 10/40.Calcula-se que até hoje menos da metade da população mundial com as suas etnias e línguas tenham sido confrontadas com o evangelho. A outra parte, com sua maioria absoluta na Janela 10/40, representa uma grande multidão de cerca de 3,2 bilhões de pessoas que ainda são objetos dos empreendimentos missionários do povo de Deus.

DICAS PARA UMA LEITURA PROVEITOSA.

DICAS PARA UMA LEITURA PROVEITOSA.
. Então, aí vai dez dicas para ler sem esquecer, a primeira vista, muitas podem parecer óbvias. Mas não as subestime. Não é sempre que a gente enxerga o óbvio. 1- Não leia cansado nem ansioso. Se for o caso, faça exercícios de respiração antes de começar a leitura. O estresse é o inimigo número um da concentração e, em consequência, da memorização. 2- Tenha vontade de aprender o que será lido. 3- Se não tiver vontade de antemão, procure criar interesse pelo assunto. A curiosidade é a mola da humanidade. 4- Sublinhe as palavras mais importantes e as frases que expressem melhor a idéia central. 5- Analise as informações e crie relação entre elas, seja nas linhas de cima ou com tudo o que você aprendeu na vida, trazendo-as para o seu mundo. A associação de idéias é fundamental. 6- Leve sempre em conta coisas como: 1- Grau de dificuldade do texto (ler um gibi não é o mesmo que ler sobre filosofia). 2- Objetivo (Só querer agradar alguém, e mais nada, não é o melhor caminho para gravar uma informação. 3- Necessidade (querer ler é bem diferente de depender disso). 7- Faça perguntas ao texto e busque respostas nele. 8- Repita sempre, desde ler de novo até contar para laguém o que você leu. 9- Faça uma síntese mental. Organizar bem as idéias já é meio caminho andado. 10- A memória prefere imagens a palavras ou sons. Por isso, tente criar uma história com aquilo que está lendo, com cenas coloridas e movimentadas. Sammy Pulver comentou muito bem a sensação de quem descobriu e está experimentando os prazeres de uma boa leitura: Na vida nos ensinam a amar, a sorrir, a andar, a lutar, mas quando abrimos um livro, descobrimos que também podemos voar.