A pergunta que muitos de nós fazemos: “Se Deus é tão bom e poderoso
porque o mal existe?” Esta pergunta, sem duvida deve ser encarada como um
problema, por isto os teólogos a chama de “O problema do Mal”.
O problema do mal tem uma importância singular para a apologética
cristã por três motivos:
1.
O problema do mal é o único argumento a favor do
ateísmo
2.
O problema do mal é universal
ü
Todos se perguntam por que coisas ruins
acontecem a pessoas boas; e alguns questionam por que coisas ruins acontecem de
qualquer maneira.
3.
O problema do mal é pratico
ü
O problema do mal não é meramente teórico, mas
bastante pratico. Não é simplesmente uma alienação entre dois conceitos – o de
Deus e o mal-, mas a alienação de uma criança que contempla seu pai, e com os
olhos cheios de lagrimas, pergunta-lhe: “Por que o Senhor permitiu que eu
sofresse tanto?” O cerne do problema do mal se encontra nas declarações feitas
por Cristo na cruz: Meu Deus! Meu Deus! Por que me desamparastes?(Mateus 27.
46).
É difícil compreender a razão de Deus tolerar o mal. Mas,
deve-se considerar que, se a sabedoria de Deus é infinitamente superior à
nossa, não podemos compreender todos os seus caminhos. Quem somos nós, os
atores no palco, para dar opiniões ao diretor da peça? Como é triste vê o vaso
tentando ensinar ao oleiro.
Agostinho fez uma formulação ampla do problema do mal
1.
Se Deus é totalmente bondoso, desejaria a
totalidade do bem e nenhum mal.
2.
Se Deus fosse todo-poderoso, poderia realizar
tudo que desejasse.
3.
Entretanto, o mal existe tanto como o bem.
4.
Portanto: ou Deus não é todo-poderoso, ou não é
totalmente bondoso, ou ambos.
Observe algumas conclusões:
1.
Se Deus existe, deseja todo o bem e é poderoso o
suficiente para conseguir tudo que deseja; então, não deveria haver mal.
2.
Se Deus existe e deseja apenas o bem, então Deus
não consegue tudo que deseja. Portanto ele não é todo poderoso.
3.
Se Deus existe e é todo-poderoso, se o mal
também existe; então Deus deseja que o mal exista. Portanto ele não é totalmente
bondoso.
4.
Por fim, se o termo Deus significa um ser que ao
mesmo tempo é totalmente bondoso e todo-poderoso, e ainda assim o mal existe;
então, esse Deus não existe.
A
RECONCILIAÇÃO DE SEIS ELEMENTOS APARENTEMENTE IRRECONCILIÁVEIS
a.
A onipotência divina
b.
A benevolência divina
c.
A existência do mal
d.
A presciência de Deus que aparentemente força
todos os acontecimentos, incluindo os de má natureza, ou que deixa de
impedi-los.
e.
A doutrina bíblica da predestinação.
Uma citação de Epicuro põe em foco esse problema, que
estamos discutindo: “ Ou Deus deseja remover o mal deste mundo, mas não pode fazê-lo;
ou ele pode fazê-lo, mas não o quer; ou
não tem nem a capacidade e nem a vontade de fazê-lo. Ora, se Ele tem a vontade,
mas não a capacidade de fazê-lo, então isso mostra fraqueza, o que é contrario
a natureza de Deus. Se El tem a capacidade, mas não a vontade de fazê-lo, então
Deus é mal, e isso não é menos contrario a sua natureza. Se ele não tem nem
capacidade e nem a vontade de fazê-lo então é ao mesmo tempo impotente e mal e, conseqüentemente não pode
ser Deus. Mas se ele tem tanto a capacidade como a vontade e remover o mal do
mundo, de onde procede o mal? E por que Deus não o impede?”
DUAS
DIFERENÇAS
1.
O mau moral: é o mal que se deriva da vontade
permissiva do homem, da falta de amor do homem para com o seu semelhante
2.
O mal natural: os desastres, os terremotos os
incêndios, os acidentes, as enfermidades e a morte que é o maior de todos os
males naturais.
Porque esses males existem? Por
que Deus permite tais condições, sabendo de antemão que acontecerão, e sendo
possuidor do poder de impedi-los? Antes de tudo, por que El permitiu que o mal
entrasse no universo?
DIVERSAS SOLUÇÕES PROPOSTAS
1.
O ponto de vista Natural.
De acordo com essa idéia o Deus pessoal, onipotente e
benévolo é substituído. Tudo que existe é apenas a matéria, e tudo quanto
existe é apenas movimento da matéria. O mal é meramente alguma forma de
perversidade ou acontecimento adverso
acidental, que atinge coisas inteiramente materiais
Porém, de conformidade com esse ponto de vista, o homem é
reduzido a um ser desamparado. O existencialismo atue que se apega a esse
parecer, chega ao extremo de dizer que o homem é uma piada da natureza. Sua
existência ocorreu por um acaso, em um mundo caótico.
2.
O ponto de vista deísta
De acordo com esse pensamento existe um Deus, que é criado.
Todavia, Deus não se faz presente no mundo, e nem mantém qualquer interesse
pelo mesmo. Não galardoa e nem pune às suas criaturas morais e nem orienta as
leis naturais que ele mesmo pôs em movimento, mas antes, abandonou-as como
coisas inteiramente mecânicas, a fim de que governassem sozinho o oniverso. Se
essa teoria fosse correta, então a bíblia teria que ser queimada, pois ela nos
mostra um Deus interessado pelas suas criaturas.
3.
O ponto de vista pessimista
Os que tomam essa posição afirmam que Deus realmente existe
e é onipotente; porém, não é um Deus benévolo. Assim sendo, o mal existe
realmente, e até pode ser provocado pelo exercício da vontade de Deus.
4.
Voluntarismo cristão
Tudo que importa é a vontade de Deus. Se Ele salva ou
condena é problema dele. Alguma coisa é certa porque o faz. Ele não faz coisa
alguma porque é certa por algum tipo de lei exterior à vontade dele
5.
Dualismo.
O bem existe; o mal existe. Nunca existirá uma reconciliação
entre estes dois elementos. Continuam em guerra. O bem vai vencer, afinal, mas
só no sentido de efetuar uma separação entre os dois princípios, não no sentido
de eliminar o mal. Nesta briga entre o bem e o mal, nós estamos no meio desse
conflito sofrendo as conseqüências.
6.
Ponto de vista do otimismo
A despeito de seus muitos problemas o mundo é o melhor dos
mundos. Alguns politeístas aceitavam a existência de algum deus ou deuses bons, que não eram todo poderoso,
ou seja, não eram onipotentes; e que por isso não conseguiam deter o poder do mal,
sobre o mundo.
7.
Ponto de vista cristão; diversas idéias:
ü
Alguns cristãos aceitam a realidade do mal, mas
limitam o poder de Deus, apesar de manterem a sua bondade. Esses têm a
esperança de que o bem um dia conseguirá triunfar, finalmente.
ü
Teólogos - filósofos como Agostinho e Tomás de
Aquino, têm procurado solucionar o problema da existência do mal, afirmando que
o mal, como uma entidade positiva realmente não existe. O mal seria algo
negativo, isto é, a ausência do bem, o vácuo, tal como o frio é a ausência do
calor ou como as trevas são a ausência da luz. O mal existirá no homem interior,
visto que no homem existe um vácuo da
boa influencia divina
ü
Alguns cristãos têm procurado encontrar
soluções, parecidas negando a realidade da presciência de Deus. Mas essa
posição faz de Deus menos do que Deus, e não é apoiada pelas escrituras.
O
PONTO DE VISTA DO NOVO TESTAMENTO
ü
Sob hipótese alguma se pode pensar que Deus é o
originador do mal.
ü
Tanto os seres angelicais como o homem foram
feitos dotados de livre-arbítrio, o que significa que tem a potencialidade de
se inclinarem para o mal. O fato do mal é atribuído a queda. (Gn 1; Isa 14. 12;
Rom 5. 12)
ü
O problema surge quando aplicamos a presciência
de Deus e sua onipotência, juntamente com sua benevolência. Deus percebeu que o
mal se aproximava, e poderia te-lo impedido ; no entanto, não fez nada. Por quê?
Podemos dizer que existe algo mais importante para Deus do que impedir o mal;
que deve haver algum alvo mais elevado, que ocupou o lugar mais importante nos
pensamentos de Deus.
ü
Por que o mal continua. O mal continua no mundo
pelos seguintes motivos; 1) para servir de lição objetiva para o homem; 2) para
servir de punição contra o pecado; 3) para servir de testemunho do fato de que
praticar o bem é melhor do que praticar o mal; 4) parta servir de contraste com
a verdade e bondade de Deus, o que mostra aos homens em que consiste a
santidade verdadeira; 5) tragédia , desastres , doenças e morte, nos ensina que
somos criaturas dependentes, isto é , devemos depender de Deus para a
estabilidade, paz, bondade. Só em Deus temos a nossa eternidade
Por meio do Mal Deus ensina a grande Lição aos homens que é
melhor seguirem a ele do que ao diabo, porquanto todas as maçãs do diabo têm
vermes ocultos, finalmente o bem devera ser livremente preferido, devido ao seu
próprio valor intrínseco. Por meio do mal que há no mundo, Deus é capaz de
mostrar-nos quão excessivamente maligna é a natureza do pecado. A alma humana
sempre sofre o que merece, devida às suas ações.
Se eu
fosse Deus…
...
Se eu
fosse Deus…
…
Não
haveria mais: o adeus solene,
A
vingança, a maldade, o ódio medonho,
E o
maior mal, que a todos anteponho,
A
sede, a fome da cobiça infrene!
Eu
exterminaria a enfermidade,
Todas
as dores da senilidade,
…
A
criação inteira alteraria,
Porém,
se eu fosse Deus…
(Martins Fontes, Santos,
1884-1937)
Não podemos chegar ao ponto da blasfêmia que
assevera, conforme têm ditos alguns: se eu fosse Deus, teria criado um mundo
melhor, ficando subtendido que não existe nenhum Deus criador.
Reflita nesta ilustração.
Um homem foi ao barbeiro.
Enquanto. Seus cabelos eram cortados conversava com o barbeiro, falando da vida e de Deus.
Daí a pouco, o barbeiro, incrédulo, não agüentou e falou:
Enquanto. Seus cabelos eram cortados conversava com o barbeiro, falando da vida e de Deus.
Daí a pouco, o barbeiro, incrédulo, não agüentou e falou:
- Deixa disso, meu caro, Deus não
existe!
- É claro que Deus existe.
- Ora, se Deus existisse não haveria tantos, miseráveis, passando fome! Olhe em volta e veja quanta tristeza. E só andar pelas ruas e enxergar!
- É claro que Deus existe.
- Ora, se Deus existisse não haveria tantos, miseráveis, passando fome! Olhe em volta e veja quanta tristeza. E só andar pelas ruas e enxergar!
O freguês pagou o corte e quando ia sair da barbearia avistou um
maltrapilho imundo, com longos e feios cabelos, barba desgrenhada, suja, abaixo
do pescoço. Deu meia volta e disse para o barbeiro:
- Sabe de uma
coisa, não acredito em barbeiros!
- Como assim...? riu-se o
barbeiro.
- Se existissem
barbeiros, não haveria pessoas de cabelos e barbas compridas como aquele ali,
por exemplo!
- Ora, este
sujeito ali está assim porque, evidentemente, faz tempo que não vai a um
barbeiro!
- Que bom que
agora você entendeu tudo, respondeu o
freguês.
Chegai-vos para Deus, e ele se chegará para vós. Tiago 4. 8
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Referencias
N R Champlin- Enciclopédia bíblica de filosofia e teologia;
Peter Kreeft/ Ronald K. Tacelli- Manual de Defesa da Fé, apologética Cristã
Autor da ilustração: Carlos E. Faiz
Fonte: O MENSAGEIRO, edição 2005, pg. 64.
Um comentário:
Este blog vai servir para quem quer aprimorar seus conhecimentos e tirar suas duvidas!
Muito bom!
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