sábado, 10 de setembro de 2011

É POSSÍVEL ALGUÉM CUMPRIR A LEI SEM GUARDAR O SÁBADO?


Acusado pelos judeus de violar o sábado, Jesus afirmou que "... o sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; de sorte que o Filho do homem é Senhor também do sábado" (Mc 2.27,28).
Com estas palavras, Jesus defende o princípio moral do quar­to mandamento do Decálogo, condenando abertamente o cerimonialismo, e revela a sua autoridade divina sobre o sábado, para cumpri-lo, aboli-lo ou mudá-lo. O sentimento moral é a ne­cessidade de se descansar um dia por semana, valendo, para esse fim, qualquer deles.
Sobre esta questão, escreveu o apóstolo Paulo: "Um faz dife­rença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente. Quem distin­gue entre dia e dia, para o Senhor o faz" (Rm 14.5,6).
    
 Os adventistas do sétimo dia dividem a Lei em várias partes. As três principais divisões são: Lei Moral e Lei Sanitária (às quais chamam também de Lei de Deus) e Lei  de Moisés, que é a parte cerimonial da Lei. Crêem que as Leis Morais e Sanitárias não foram abolidas por Cristo, por cujo motivo afirmam que nós, os cristãos, temos que abstermos do roubo, do homicídio, do adultério, da carne de porco, de bagre etc. Porém crêem que Cristo aboliu a Lei de Moisés (ou Lei cerimonial), e que, portanto, não é necessário observarmos a páscoa, o pentecostes, a circuncisão, os sacrifícios de animais, etc.
        Os adventistas guardam o sábado semanal porque crêem que OS DEZ MANDAMENTOS são, sem exceção, morais, embora não ensinem que os mandamentos morais estejam contidos somente no ¹Decálogo. Sim, eles crêem que os mandamentos morais estão distribuídos em toda a Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse; e que o Decálogo é uma síntese dos mesmos.
        Para se ver que de fato os adventistas dividem a Lei em Lei de Moisés e Lei de Deus, basta ler o panfleto intitulado Leis em Contraste, editado pela CPB_Casa Publicadora Brasileira, que é a editora deles. Também o livro adventista intitulado Subtileza do Erro, tenta nos convencer que a Lei Sanitária está de pé. Não queremos condenar os sabatistas por guardarem o sábado, pois a Bíblia diz categoricamente que os cardápios e os dias da semana não devem separar os cristãos.  Mas a grande maioria dos adventistas, com os quais temos dialogado, não pensa assim. Pudemos ver claramente que eles têm dúvidas da salvação dos evangélicos que não guardam o sábado. E isso é perigosíssimo! Ninguém será condenado por Deus pelo fato de guardar ou não este ou aquele outro dia, mas quem acha que a inobservância do sábado ou de qualquer outro dia, leva à perdição eterna, está, em franco desrespeito para com a tolerância recíproca que o Espírito Santo recomenda aos membros da Igreja, fazendo do sábado a sua tábua de salvação e se autocondenando. Senão, vejamos:
“Ora, ao que é fraco na fé, acolhei-o, mas não para condenar-lhe os escrúpulos. Um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come só legumes. Quem come não despreze a quem não come; e quem não come não julgue a quem come; pois Deus o acolheu. Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai; mas estará firme, porque poderoso é o Senhor para o firmar.
        Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus. Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. Pois, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, quer vivamos quer morramos, somos do Senhor. Porque foi para isto mesmo que Cristo morreu e tornou a viver, para ser Senhor
tanto de mortos com de vivos. Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Deus.  Porque está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua louvará a Deus. Assim, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.
        Portanto não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao vosso irmão. Eu sei; e estou certo no Senhor Jesus, que nada é de si mesmo imundo a não ser para aquele que assim o considera; para esse é imundo. Pois, se pela tua comida se entristece teu irmão, já não andas segundo o amor. Não faças perecer por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu. Não seja, pois, censurado o vosso bem; porque o reino de Deus não consiste no comer e no beber, mas na justiça, na paz, e na alegria no Espírito Santo. Pois quem nisso serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens. Assim, pois, sigamos as coisas que servem para a paz e as que contribuem para a edificação mútua. Não destruas por causa de comida a obra de Deus. Na verdade tudo é limpo, mas é um mal para o homem dar motivo de tropeço pelo comer.  Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outra coisa em que teu irmão tropece. A fé que tens, guarda-a contigo mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem duvidas, se come está condenado, porque o que faz não provém da fé; e tudo o que não provém da fé é pecado” (Rm. 14, Versão Revisada)
        Guardando ou não o sábado, se nos valermos unicamente da cruz de Cristo, seremos salvos; e conhecemos muitos sabatistas que pensam assim também, e com estes temos mantido plena comunhão espiritual.

O Sábado no Novo Testamento?!
      
Os adventistas alegam que o Novo Testamento manda observar o sábado; e, para “provarem” isso, citam várias passagens neotestamentárias, das quais consideraremos algumas neste tópico:
a)   Lc. 23.56b: “E no sábado descansaram, segundo o mandamento”. Alegam os adventistas que o fato desta referência bíblica constar do Novo Testamento prova que os cristãos primitivos consideravam a guarda do sábado um mandamento. Mas, se este “argumento” fosse válido, deveríamos praticar a circuncisão e os sacrifícios de animais, pois está escrito em Lc 2.21-24 (e, portanto, no Novo Testamento também), que José e Maria circuncidaram a Jesus e ofereceram os sacrifícios em obediência ao que determina a Lei do Senhor;
b)   Lc. 4.16: “... entrou num dia de sábado, na sinagoga, segundo o seu costume ...”. O fato de Jesus ter o costume de ir às sinagogas em dia de sábado, não prova que nós, os cristãos, tenhamos que fazer o mesmo, pois Gl. 4.4-5 diz que Ele nasceu sob a Lei, para resgatar os que ESTAVAM (no passado) sob a Lei; logo, Jesus fez coisas que nós não precisamos fazer. Ele participou da páscoa (Mt 26. 7-9). Por que os sabatistas não observam a páscoa também? Os sabatistas têm visão de águia, para enxergarem textos bíblicos que parecem favorecê-los, mas não vêem os textos que, com clareza, refutam as suas doutrinas. Por exemplo, está escrito que Jesus quebrantava ou violava o sábado (Jo 5.18); esta referência diz que as razões pelas quais os judeus queriam matar a Jesus eram duas: 1a.) Ele, dizendo que Deus era o Seu próprio Pai, se fazia igual a Deus; 2a.) Ele violava o sábado. O contexto diz que Jesus MANDOU um homem transportar o seu leito em dia de sábado, e isto é, de fato, quebrar um dos mandamentos da Lei, já que até acender fogo no dia de sábado era proibido (Ex. 35.3);
c)   Os sabatistas adoram citar At 13.14,42,44; 17.2 e outras passagens bíblicas, nas quais encontramos os apóstolos Paulo e Barnabé indo às sinagogas, aos sábados, para evangelizar; pensam eles que o faziam aos sábados porque guardavam o sétimo dia da semana em obediência à Lei de Deus. Mas a verdade é que os apóstolos estavam aproveitando a oportunidade. Aos sábados os judeus se reuniam nas sinagogas, e contatá-los lá era prudente. Além disso, os apóstolos estavam dispostos a até mesmo guardar o sábado, se isso se fizesse necessário à salvação dos judeus (I Co. 9.19-23). A prova disso é que o apóstolo Paulo fez o voto de nazireu, prescrito em Nm 6.1-21, isto é, ficou cabeludo (?) e depois rapou a cabeça (At 18.18); circuncidou Timóteo (At 16.1-5); e esforçou-se para passar o dia de Pentecostes em Jerusalém (At. 20.16). Por que os adventistas não rapam suas cabeças, não se circuncidam e observam a festa de Pentecostes, já que o apóstolo Paulo fez todas estas coisas? À luz de I Co. 9.19-23, Paulo fez isso para não escandalizar os judeus ignorantes e assim ganhá-los para Cristo. Ora, Paulo não guardou o sábado, mas se o tivesse guardado, ninguém poderia se valer disso para dizer que é da vontade de Deus que a Igreja o observe ainda hoje.
d)   I Jo. 5.3; Ap. 12.7. É verdade que o Novo Testamento diz que temos que guardar os mandamentos, mas estes mandamentos não são os do Antigo Testamento. Logo, esta “base”, sobre a qual os adventistas se apóiam, também não é sólida;
e)   II Co. 3.14 diz categoricamente que o Velho Testamento está abolido por Cristo; mas os adventistas citam Mt. 5.17,18 para “provarem” que a Lei Moral está de pé. A verdade, porém, é que Cristo aboliu toda a Lei, ou seja, todo o Pentateuco, incluindo o Decálogo. Mas como entender isso? Da seguinte maneira: Quando Jesus disse que “até que o Céu e a Terra passem, nem um i ou um til, jamais passará da Lei até que tudo se cumpra”, não estava dizendo que a Lei não passaria e, sim, que só passaria depois de cumprida. O sábado, a circuncisão, a páscoa, o Pentecostes, o jubileu, a lua nova, etc., passaram, depois de Cristo os cumprir na cruz. Que passaram está claro, pois até os sabatistas sabem disso, visto que eles também não guardam os preceitos acima, com exceção do sábado, o que é incoerência;
f)    Os sabatistas alegam que Mt. 5.17,18 é uma referência à Lei moral, e não à Lei Cerimonial; isto dizem para guardarem o sábado e o cardápio judaico, sem observarem os demais preceitos da Lei e não passarem por incoerentes.  Mas a palavra “lei” na Bíblia se refere a todo o Pentateuco. Por exemplo, em Lc. 2.23 se diz que os sacrifícios de animais constam da Lei do Senhor; e este preceito é um dos mandamentos morais?;
g)   Em Ap. 1.10 está exarado que o apóstolo João foi arrebatado no dia do Senhor. Os adventistas acham que esse dia é o sábado, mas na verdade trata-se do domingo. A questão é que, embora o Novo Testamento não determine nenhum dia de guarda, os cristãos primitivos, por livre e espontânea vontade, decidiram dedicar o primeiro dia da semana a Deus, em comemoração à ressurreição de Cristo que, segundo a Bíblia, ocorreu no primeiro dia da semana (Mc. 16.9).
        O fato de a Bíblia mostrar os cristãos primitivos celebrando a Santa Ceia do Senhor e separando suas ofertas aos domingos (At. 20.7; I Co. 10.1,2), é algo a que apegarmos. Por que faziam isso aos domingos? O que há de especial nesse dia? Nada, certamente, pois esse dia é um dia como outro qualquer; porém, nele ocorreu algo mais importante do que a criação do Universo, a saber, o triunfo de Cristo sobre a morte e a nossa justificação (Rm. 4.25). Porque Cristo ressuscitou no domingo, eles tinham predileção por este dia; porque tinham predileção por este dia, nele se reuniam; e porque nele se reuniam, a celebração da Santa Ceia e o ofertório nele se concretizavam.
        Como se pode ver, os adventistas estão “bem” calçados. Dividindo a Lei em três partes (moral, sanitária e cerimonial) e dizendo que as leis morais e sanitárias ainda estão de pé, eles conseguem ser incoerentes sem que aparentem sê-lo. Guardam apenas uma parte da Lei e dizem que quem o faz somos nós, que não guardamos o sábado; porém, a verdade é que nós não guardamos a Lei, nem parcial, nem integralmente. Nós estamos noutra; nós estamos no Novo Testamento. E o Novo Testamento não é o Velho Testamento remendado, consertado, reformado, pintado, etc. Não! O Novo Testamento não é o Velho Testamento transportado de lá para cá. O Novo Pacto é novo. Nós nos abstemos do furto, do homicídio, da idolatria, da feitiçaria, não porque o Velho Testamento proíbe estas coisas e, sim, porque o Novo Pacto que Cristo fez com a Igreja contém estes deveres; caso contrario, seríamos tão incoerentes quanto os adventistas. Saibam os adventistas que a Igreja tem um novo “não matarás” e um novo “não adulterarás”. O “não adulterarás” do Novo Testamento é diferente do “não adulterarás” do Decálogo. O “não adulterarás” do decálogo só proibia a cobiça à mulher do próximo. O decálogo não proibia a um homem casado de namorar outras mulheres _ desde que estas fossem ou solteiras, ou viúvas, ou divorciadas _ , pedir suas respectivas mãos em casamento e casar com elas. Logo, o decálogo permitia o que o Novo Testamento proíbe, sob pena de condenação eterna. Isto prova que Deus nos deu sim, um novo “não adulterarás”, já que o primeiro não retratava a vontade absoluta de Deus, e sim, a Sua vontade permissiva. Além disso, o decálogo não dava às mulheres o direito de também se casarem com vários homens simultaneamente. É óbvio que essa discriminação era uma adequação ao sistema Patriarcal de então, demonstrando apenas a vontade permissiva do Senhor. Salta, portanto, aos olhos que o Antigo Testamento, do qual o Decálogo era parte integrante, era apenas a base de algo melhor que estava por vir: o Novo Testamento. Neste, Deus não dá às mulheres o direito de ter muitos cônjuges, visto que um erro não justifica o outro, mas tira do homem o direito de fazê-lo.
      Temos também na Nova Aliança um novo “não matarás”. Deveras o “não matarás” do Novo Testamento é diferente do “não matarás” do Antigo Testamento. Na vigência da Lei de Moisés, matar pecadores como adúlteros, blasfemos, feiticeiros, idólatras, profanadores do sábado, etc., não era homicídio. No Novo Testamento, porém, quem executar qualquer desses pecadores, estará cometendo assassinato e, portanto, pecando. Então, o nosso “não matarás” não permite o que o “não matarás” dos judeus permitia. O Novo Testamento não privou o Estado de usar a força policial, mas esta medida só é justificada quando em defesa da ordem pública e/ou para manutenção da soberania nacional (Rm 13:1-7).
      A Lei de Deus sempre foi santa, justa e boa, mas às vezes Ele não legisla sobre um determinado assunto para, deste modo _crêem renomados teólogos _ levar o homem a concluir por si mesmo que tal situação sobre a qual Ele se silenciou, não é o melhor para nós. É o caso da poligamia e do concubinato que nunca foram ordenados por Deus, mas tolerados durante séculos, até que Deus deu um basta a essa permissividade. A partir daí, ter mulheres secundárias (isto é, concubinas), sejam elas escravas ou cativas, como as tiveram Abraão, Jacó, Davi, etc., é ser adúltero (1Tm 3:2; 1Co 7:2). Logo, o nosso “não adulterarás” proíbe o que o “não adulterarás” dos judeus permitia, o que prova que Deus não transportou para o Novo Testamento, o “não adulterarás” da Lei, mas sim, que nos deu um novo “não adulterarás”, distinto e diferente do “não adulterarás” do Velho Testamento. Sim, distinto e diferente. Distinto porque não é o mesmo, e diferente por que não é igual (perdoe-me esta redundância que só exibe o óbvio).
      (No capítulo seguinte damos maiores informações acerca do que dissemos nos últimos quatro parágrafos acima).
      Os adventistas alegam que, se a Lei moral tivesse sido abolida de fato, os evangélicos estariam livres não só para não observar o sábado, mas também para matar, roubar, caluniar, prostituir etc.. Mas eles esquecem que a “Lei de Cristo” (1Co. 9.21), sob a qual está a Igreja, proíbe a prática dessas coisas. Os cristãos não se prostituem em obediência ao Pacto de Deus com os judeus e, sim, em obediência à Nova Aliança celebrada entre Cristo e a Igreja (1Co. 9.21; Hb. 12.24). Além disso, a Lei de Cristo está plasmada na alma do cristão, tornando-se mais um princípio do que um conjunto de normas.
        Nenhum mandamento do Velho Testamento foi transportado para o Novo Testamento. Muitos (não todos) foram repetidos, mas nenhum foi transportado de lá para cá. Repetimos: “O Novo é novo”; os preceitos do Novo Testamento existem independentemente de terem ou não existido no Antigo Testamento. Qualquer semelhança é mera coincidência (veja maiores informações sob o cabeçalho O Sábado e os Coríntios).

. O Sábado: Moral ou Cerimonial?

        O quarto mandamento do Decálogo era moral e cerimonial ao mesmo tempo. O lado moral deste mandamento é a necessidade que todos temos de descansarmos periodicamente, para recuperarmos os desgastes do labor da vida. E o lado cerimonial é o fato desse descanso ter que ocorrer precisamente no sétimo dia da semana. Por que no sétimo? Se descansarmos ás quartas-feiras, não estaremos também nos repousando um dia, a cada sete?
        A necessidade de cessarmos nossas atividades seculares pelo menos um dia por semana para, entre outras coisas, intensificarmos a adoração a Deus, é um princípio moral que, sem dúvida, está de pé. O cristão só não tem é a letra desse mandamento, pois além de constar de uma lei que a cruz de Cristo tornou obsoleta, não consta da Nova Aliança. Assim sendo, sempre que for possível, paremos com os nossos afazeres e rendamos culto ao nosso grande Deus. E ao fazermos isto, se possível, optemos pelo primeiro dia da semana, para comemorarmos a maravilha incomparavelmente superior à criação do Universo, a maravilha da ressurreição de Cristo, a qual nos justifica para com Deus (Rm 4.25). É evidente que o Deus que “descansou” com a conclusão da criação do Universo, “descansa” muito mais com o milagre que nos justifica para consigo; e assim sendo, é justo que façamos festa, ombreando-o nas comemorações. Porém, não nos sobrecarreguemos de regrinhas, transformando o domingo numa espécie de sábado. Lembremos que o Novo Testamento não manda guardar dia algum. O primeiro dia da semana tornou-se conhecido entre os cristãos pelo nome de “dia do Senhor”, porque os cristãos o observavam, e não por determinação divina.
        Como já dissemos, permanece de pé o princípio moral de se descansar amiúde; mas, como já salientamos, não precisamos nos atazanar, caso isso fuja das nossas possibilidades, pois este tema não possui valor salvífico. Sim, pois como todos sabemos, precisamos não só de descanso semanal, mas diário também. Não obstante, já trabalhamos 35 horas consecutivas, e o fizemos sem nenhum peso de consciência, pois sabíamos que estávamos respaldados pela Bíblia (I Ts. 2.9; 2T 3.8).
        Ora, assim como é certo e salutar dormimos pelo menos 8 horas a cada 24 horas, mas, se por uma razão qualquer isso não for possível, Deus não nos condenará por isso, se por um motivo qualquer, não nos for possível cultivarmos o merecido repouso semanal, não nos deixemos abater. Lembremo-nos que temos algo incomparavelmente superior ao descanso semanal, a saber, o descanso espiritual (do qual o sábado semanal era uma sombra, Cl. 2.16-17) nos braços eternos e onipotentes de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (Mt 11.28). Este é o verdadeiro sábado e é ininterrupto.

  O Sábado e o Dia do Senhor

        Afirmamos repetidas vezes que o Novo Testamento não manda guardar dia algum. Porém, sabemos que alguém poderá objetar, alegando que Ap. 1.10 menciona “O dia do Senhor”. “Que dia era esse? Precisamos saber”, dirá alguém, “pois está claro que o Senhor ainda tem um dia”. A resposta a esta alegação é que como já vimos, a Bíblia mostra que os cristãos do século I tinham predileção pelo primeiro dia da semana (At. 20.6,7, I Co. 16.2); e a História Eclesiástica deixa claro que nos séculos II e III os cristãos tinham como dia de guarda o domingo, ou seja, o primeiro dia da semana. É oportuno relembrarmos que eles o faziam impulsionados pelo Espírito Santo, e não em obediência a uma lei escrita. Sim, o Novo Testamento não registra este mandamento.
        Pois bem, Ap. 1.10 se explica assim: De tanto os cristãos primitivos se reunirem no primeiro dia da semana, se convencionou entre eles identificar este dia com uma nomenclatura especial. E o nome dado foi “Dia do Senhor”. João chamou este dia de “Dia do Senhor” apenas porque este era o nome pelo qual este dia era conhecido.
        Etimologicamente, o significado do vocábulo “domingo”do grego te kyriake hemera, ( te kyriake hemera), é “dia do Senhor”. E nós, embora sabedores disso, chamamos o primeiro dia da semana de domingo, apenas para identificá-lo, pois como já está claro, o consideramos como um dia qualquer. E, certamente, João o fez pela mesma razão. No inicio do século III Tertuliano chegou a afirmar que “nós [os cristãos] nada temos com o sábado, nem com outras festas judaicas, e menos ainda com as celebrações dos pagãos. Temos a nossa própria solenidade: o Dia do Senhor, pó exemplo, e o pentecoste” (On idolatry 14). Encontramos um testemunho muito interessante na obra siríaca O ensino dos apóstolos, que dada da segunda metade do século III, segundo a qual os apóstolos de cristo foram os primeiro a designar o primeiro dia da semana como o dia do culto cristão. (Ante-nicene fathers, 8668). Ainda sobre o domingo como dia de festa semanal da Igreja, veja o que escreveram os seguintes Pais da Igreja:
Barnabé: "De maneira que nós observamos o domingo com regozijo, o dia em que Jesus ressuscitou dos mortos".
Justino Mártir: "Mas o domingo é o dia em que todos te­mos nossa reunião comum, porque é o primeiro dia da semana, e Jesus Cristo, nosso Salvador, neste mesmo dia ressuscitou da mor­te".
•  Inácio: "Todo aquele que ama a Cristo, celebra o Dia do Senhor, consagrado à ressurreição de Cristo como o principal de todos os dias, não guardando os sábados, mas vivendo de acordo com o Dia do Senhor, no qual nossa vida se levantou outra vez por meio dele e de sua morte. Que todo amigo de Cristo guarde o dia do Senhor!"
Dionísio de Corinto: "Hoje observamos o dia santo do Se­nhor, em que lemos sua carta".
Vitorino: "No Dia do Senhor acudimos para tomar nosso pão com ações de graça, para que não se creia que observamos o sábado com os judeus, o qual Cristo mesmo, o Senhor do sábado, aboliu em seu corpo".

  
 Constantino e o Sábado
       
Segundo a História Eclesiástica, o imperador Constantino publicou um edito, sancionando o primeiro dia da semana como o dia que os cristãos devem observar. Os adventistas argumentam à “base” disso que os cristãos observavam o sábado, mas Constantino impôs o domingo. Porém, se examinarmos a Bíblia e a História com honestidade, veremos que os cristãos observavam o domingo, e que Constantino, querendo agradar os cristãos, transformou isso em lei, legalizando deste modo o que os cristãos já vinham fazendo, mesmo sem uma lei que os amparasse.
     Gostamos de apoiar as doutrinas que esposamos unicamente nas páginas da Bíblia. Mas como os sabatistas se julgam apoiados pela História Universal ao guardarem o sábado, informamos que, pelo contrário, a História mostra claramente que os cristãos dos séculos II e III observavam o domingo antes de Constantino sancioná-lo. São muitos os registros, mas neste livro registraremos apenas um: Justino Mártir: “Mas o domingo é o dia em que todos temos a nossa reunião comum, porque é o primeiro dia da semana e Jesus Cristo, Nosso Salvador, neste mesmo dia ressuscitou da morte” (Sei
tas e Heresias, Um Sinal dos Tempos, CPAD, pg. 73, Raimundo F. de Oliveira).

       

  O Sábado na Eternidade

      Is 66.23 diz “que, de uma festa da Lua Nova à outra e de um sábado a outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o SENHOR” ( Almeida Atualizada, grifo nosso). Geralmente os adventistas se servem deste versículo para “provarem” que o sábado será observado até mesmo na Nova Terra, ou seja, na eternidade, o que, segundo eles, é evidência de que o sábado é um mandamento eterno. Mas, o que este texto está dizendo é que na eternidade a adoração será ininterrupta, e nada mais. Doutro modo teríamos que observar a Lua Nova também, visto que o texto em questão afirma de igual modo que os adoradores adorarão de “uma Festa da Lua Nova à outra”.A Bíblia diz, por exemplo, que os perdidos serão atormentados de dia e de noite (Ap 20. 10). Entretanto, disso não podemos inferir que vá existir dia e noite no inferno. Todos entendemos que, neste caso, o trecho bíblico em pauta está apenas dizendo que o tormento será contínuo.
Para concluir, Escreve o apóstolo Paulo: "Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, por­que tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo. Ninguém se faça árbitro contra vós ou­tros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado sem motivo algum na sua mente carnal, e não retendo a Cabeça, da qual todo corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus" (Cl 2.16-19).


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Minhas Postagens

... A BÍBLIA É O FENÔMENO EXPLICÁVEL APENAS DE UM MODO – ELA É A PALAVRA DE DEUS...

... A BÍBLIA É O FENÔMENO EXPLICÁVEL APENAS DE UM MODO – ELA É A PALAVRA DE DEUS...
O fato de que Deus nos deu a Bíblia é evidencia e exemplo de seu amor por nos, nos ensinando a manter um relacionamento correto com Deus, mas como podemos ter evidencias de que a Bíblia é mesmo a palavra infalível de Deus e não simplesmente um bom livro? O que é único na Bíblia que a separa dos demais livros escritos até hoje? A Bíblia é a verdadeira Palavra de Deus, divinamente inspirada, e totalmente suficiente para todas as questões de fé e prática. Não pode haver duvidas sobre a veracidade bíblica. Ela não é um livro que um homem escreveria se pudesse, ou que poderia escrever se quisesse.

QUE TEMPO CURTO!

QUE  TEMPO CURTO!
Se for ensinar, haja dedicação ao ensino (Rm 12.7b). Quase todos nós já passamos pela experiência de ver um professor da Escola Dominical ser surpreendido pelo soar do sinal anunciando o término da aula. Muitos são os professores e alunos que vivem se queixando do pouco tempo reservado para o estudo em classe. Alguns professores chegam dizer, frustrados, que a aula terminou exatamente quando começava a tratar da melhor parte do seu conteúdo. A questão não é falta de tempo e sim de planejamento. Quando não há planejamento da aula, não importa o tempo a ela reservado, tudo sairá atabalhoadamente dando a impressão de que está faltando algo. Quando existe planejamento, mesmo que o tempo seja curto, haverá produtividade e satisfação na aula dada. O problema não é o tempo, reafirmo, mas o planejamento. O planejamento de uma aula para a Escola Dominical deve levar em consideração vários fatores.

Alguém precisa fazer algo!

Alguém precisa fazer algo!
JANELA 10/40 é uma faixa da terra que se estende do Oeste da África, passa pelo Oriente Médio e vai até a Ásia. A partir da linha do equador, subindo forma um retângulo entre os graus 10 e 40. A esse retângulo denomina-se JANELA 10/40.Calcula-se que até hoje menos da metade da população mundial com as suas etnias e línguas tenham sido confrontadas com o evangelho. A outra parte, com sua maioria absoluta na Janela 10/40, representa uma grande multidão de cerca de 3,2 bilhões de pessoas que ainda são objetos dos empreendimentos missionários do povo de Deus.

DICAS PARA UMA LEITURA PROVEITOSA.

DICAS PARA UMA LEITURA PROVEITOSA.
. Então, aí vai dez dicas para ler sem esquecer, a primeira vista, muitas podem parecer óbvias. Mas não as subestime. Não é sempre que a gente enxerga o óbvio. 1- Não leia cansado nem ansioso. Se for o caso, faça exercícios de respiração antes de começar a leitura. O estresse é o inimigo número um da concentração e, em consequência, da memorização. 2- Tenha vontade de aprender o que será lido. 3- Se não tiver vontade de antemão, procure criar interesse pelo assunto. A curiosidade é a mola da humanidade. 4- Sublinhe as palavras mais importantes e as frases que expressem melhor a idéia central. 5- Analise as informações e crie relação entre elas, seja nas linhas de cima ou com tudo o que você aprendeu na vida, trazendo-as para o seu mundo. A associação de idéias é fundamental. 6- Leve sempre em conta coisas como: 1- Grau de dificuldade do texto (ler um gibi não é o mesmo que ler sobre filosofia). 2- Objetivo (Só querer agradar alguém, e mais nada, não é o melhor caminho para gravar uma informação. 3- Necessidade (querer ler é bem diferente de depender disso). 7- Faça perguntas ao texto e busque respostas nele. 8- Repita sempre, desde ler de novo até contar para laguém o que você leu. 9- Faça uma síntese mental. Organizar bem as idéias já é meio caminho andado. 10- A memória prefere imagens a palavras ou sons. Por isso, tente criar uma história com aquilo que está lendo, com cenas coloridas e movimentadas. Sammy Pulver comentou muito bem a sensação de quem descobriu e está experimentando os prazeres de uma boa leitura: Na vida nos ensinam a amar, a sorrir, a andar, a lutar, mas quando abrimos um livro, descobrimos que também podemos voar.