quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O QUE FAREMOS SEM A TV?
















O advento da televisão, bem como a sua rápida popularização, tornando-se no principal meio de comunicação de massa e formação de opinião, conquistou lares e corações e causou um segundo impacto na maneira de “ver” o mundo.
“A TV pode ser considerada como uma invenção relativamente recente. Em 1926, o escocês John Logie Baird (1888-1946) fez a primeira demonstração pública da televisão. Três anos antes, porém, o engenheiro russo-americano Vladimir Zworykin (1889-1982) inventara o tubo eletrônico de câmera (iconoscópio), que é à base dos aparelhos de televisão usados até hoje” (ENCICLOPÉDIA ILUSTRADA DO ESTUDANTE, 1997:567).
        
A TV começou com o formato de um grande tubo, cheio de válvulas e no máximo em duas cores, preto e branco. Adquiriu popularidade nas décadas de 40 e 50, quando ela começou a ser aperfeiçoada. Não demorou muito para que ela se tornasse o objeto dos sonhos de consumo dentro das sociedades capitalistas, contrariando as previsões mais pessimistas, como a do Cineasta Americano Darryl F. Zanuck (1902-1979), o qual disse que a televisão não poderia se manter muito tempo no mercado. Pois as pessoas logo se cansariam de passar a tarde olhando um “caixote”. Assim, vencendo a expectativa de Zanuck, inicialmente a TV foi implantada nos países mais ricos como os Estados Unidos, Inglaterra e França, para depois chegar aos países em desenvolvimento como o Brasil, que desde a década de 50, com o surgimento da TV Tupi, começou a industrializar televisores num ritmo sempre crescente. Como era de se esperar, a TV também conquistou o coração e os lares do povo brasileiro.
        
Não é por acaso que, pelo menos uma parcela do povo brasileiro, prefere tomar água morna (falando de maneira irônica) do que deixar de ver TV. Isso porque o nosso país tem mais televisão do que geladeira, apesar do clima tropical. São mais de 33 milhões de aparelhos de TV. Segundo  pesquisa por amostra de domicílios, realizada em 1996 em todo território nacional, e divulgada na revista Veja, em novembro de 1997: “o número de domicílios com aparelho de TV era de 84,3%. E com geladeiras, 78,2%” (VEJA, 19 de novembro de 1997:31).
         A televisão passou a ser mais importante do que qualquer outro eletrodoméstico. Nunca ouvimos falar que outro aparelho merecesse e tivesse sua salinha exclusiva com cadeiras cativas. As tevês dão tantas alegrias, provocam tantas emoções, “ensinam” tanta coisa às pessoas que não podem simplesmente ser chamadas de aparelhos. Às vezes fazem mais companhia do que um ser humano, outras, chegam a se tornar fetiches. No Brasil não é incomum barracos de favelas (onde muitas vezes se passa fome) possuírem antenas parabólicas para uma melhor recepção de TV.
         Se em nosso país há mais televisores dentro de casa do que geladeiras, nos Estados Unidos da América o número de lares que possuem um aparelho de televisão é maior do que o de casas com água encanada. E na maioria deles, o televisor fica ligado cerca de sete horas por dia. E o que é pior, um em cada oito adultos confessa ser viciado em televisão, segundo relatório do periódico americano New Yorker. No Brasil a dependência da TV não parece muito diferente da realidade americana.
TV: UM FATOR DE MUDANÇAS SOCIAIS
Inegavelmente vivemos numa era de avanço tecnológico constante, onde estagnar significa retroceder. O rádio, os aparelhos de som de alta definição, a tevê convencional, as tevês a cabo por assinatura, os canais via parabólica, a TV interativa,  o vídeo e, futuramente o holovídeo; juntamente com o DVD player, os “bichinhos virtuais”, os games e microcomputadores cada vez mais potentes e “inteligentes”, que estão aí, ganhando cada vez mais popularidade, todos vieram para ficar. As diversões eletrônicas fascinam crianças, jovens e adultos. A família moderna parece estar cada vez mais agregada em torno de aparelhos de comunicação. Indubitavelmente há muitos benefícios na moderna tecnologia informativa, hoje é possível visitar museus famosos de qualquer país via internet. Recebemos as notícias do mundo todo, simultâneamente e a cores, dentro de nossa própria casa. A própria informação se tornou numa verdadeira avalanche, tão grande que é impossível acompanhar tudo o que ocorre no planeta, mesmo estando disponível  através de telas coloridas e cheias de movimento.
          Não resta dúvidas de que os aparelhos eletro-eletrônicos de comunicação trazem o mundo para perto de nós, mas principalmente a televisão (por causa de sua popularidade), funciona como uma “janela” para o mundo, ampliando sobremaneira o universo cultural de crianças, jovens e adultos. Mas a sua influência não se limita apenas ao “universo cultural.” Especialmente a TV, por ser o principal meio de comunicação de massa, tem contribuído muito para as mudanças sociais verificadas principalmente nos hábitos, costumes e valores da sociedade e, consequentemente da família, de maneira especial nas crianças e adolescentes.
Seria ingenuidade responsabilizar apenas os meios de comunicação de massa, especialmente a TV, pelas mudanças sociais. Há outros fatores envolvidos nesse processo. Porém, embora não seja o único fator e nem a causa das mudanças em si, a TV é um fator que acelera muito e facilita a aceitação dessas mudanças
MONÓLOGO TELEVISUAL NA FAMÍLIA

         Apesar de toda essa tecnologia informativa e cheia de recursos cada vez mais sofisticados, em muitas famílias de nosso século já não existe mais tempo para o diálogo, muito menos qualidade com o pouco que restou, porque principalmente a TV, além de interferir no conteúdo das conversas, colocou um “esparadrapo” na boca de todos, criando um monólogo televisual. São famílias que não desenvolveram um espírito crítico em relação aquilo que vêem na TV. E muito menos tranformaram o seu conteúdo em temas para debates ou diálogo dentro do círculo familiar. Embora devamos admitir que há temas que não valem a pena nem mesmo mencionar o título.
O fato concreto é que a comunicação em família foi afetada com a chegada da televisão. Há um conselho de que quando os problemas com a comunicação surgirem ou forem percebidos, é hora de fazer uma perguntinha que pode ser fundamental para resolver a situação, principalmente quando a desculapa é falta de tempo, a pergunta é: “O que estamos fazendo com aquelas horas na frente da tevê?” É claro que as pessoas não ficam 100% mudas diante da telinha, mas quanto maior for o grau de interesse pelo que está sendo apresentado na TV, menos amistosas as pessoas se sentem a respeito de uma interrupação.
De acordo com o relatório anual do AD Council (www.adcouncil.org. - entidade americana pró-lar e família), publicado na revista Seleções (em inglês - junho de 1998), “50% dos lares americanos deixam a televisão ligada durante o jantar em família.” Para o Dr. William J. Doherty (Ph.D.), autor do livro: “Intentional Family: How to build Family Ties in Our Modern World”, assistir TV na hora da refeição é lamentável, pois o tempo do jantar é frequentemente o único momento do dia quando há uma oportunidade para toda família estar junta e sentir um senso real de conexão e unidade. Sem um frequente reforço, a conexão familiar pode se perder, e principalmente as crianças, começarão a se sentir isoladas. Por essa razão, o relatório do AD Council dá algumas sugestões de como aproveitar o tempo das refeições e desenvolver o diálogo em família:
·        Faça da refeição uma hora especial, desligue a TV.
·        Acenda algumas velas e não comece o jantar até todos estarem presentes. Se a sua filha adolescente está no telefone e vocês começam sem ela, vocês estão dizendo que ela não é importante o suficiente para ser aguardada no jantar.
·        Todos devem permanecer à mesa até que o último membro da família tenha acabado de comer.
·        Se os conflitos e brigas tornarem o jantar em família impossível, seja criativo, pense em alternativas como um picnic à luz do luar.
·        Se não há como ter um jantar em família pelo menos uma ou duas vezes na semana, transforme o café da manhã aos sábados ou domingos em momentos especiais.
·        Algumas vezes saia com toda família para comer em um restaurante típico, onde não tenha televisão ligada. Lembre-se: o objetivo é manter a conexão familiar.
·        Procure transformar a hora da refeição num ritual em família, fazendo do diálogo um hábito.
DESENVOLVENDO VALORES NA FAMÍLIA

Allan Bloom, em seu livro “O declínio da Cultura Ocidental”, analiza de forma objetiva a principal causa do fracasso das famílias pós-modernas, tanto no que diz respeito ao relacionamento interpessoal entre os seus membros, como na sua estrutura e educação cristã. Há quem defenda o uso irrestrito da TV no lar, alegando que quando ocorre reuniões de família por exemplo, o convívio é mais pacífico se a televisão está ligada. Essa “paz” ocorre porque os membros da família podem focalizar todsa sua atenção na televisão, em vez de uns nos outros, e desta forma avitam discusões e indelicadezas.

Em um discurso proferido do Vaticano em 1994, o Papa João Paulo II, comentando a influência da TV sobre as famílias ao redor do mundo, definiu a televisão como “a pior ameaça para a vida familiar”e a responsabilizou por “glorificar o sexo e a violência”. 
Segundo H. Arendt, não se pode mais dizer que os lares de hoje são as quatro paredes onde se desenrola a vida da família. Muito menos de que o lar é uma proteção contra o mundo, e em particular contra o aspecto público do mundo. Como já dissemos, ao longo do processo de socialização as crianças são o objeto da ação de várias instituições especializadas: a família, a escola, a igreja, a mídia. Todavia nada pode substituir a relação sócio-afetiva da criança e sua interação com o meio. Se a TV tem certa importância no desenvolvimento sociológico da criança como já vimos que tem, é preciso, porém ter o devido cuidado para não exagerar nessa importância. Isso porque a TV não substituí a interatividade da criança com os outros, especialmente a família, bem como os coleguinhas, e enfim: todas as pessoas que fazem parte de seu universo existencial.
Na maioria daz vezes, contudo, o problema quanto ao relacionamento exagerado que se tem com a TV dentro das famílias, não está com as crianças e muito menos com a TV propriamente dito, mas com seus responsáveis. São pais que não estabeleceram limites ao uso da TV, nem para si mesmos e muito menos para os seus filhos, deixando o acesso à mesma totalmente liberado. Essa atitude de indiferença acaba estimulando crianças e adolescentes, que têm muito tempo livre para gastar, a gastá-lo frente à telinha. Outra razão é que estes pais não formaram nos filhos um espírito crítico daquilo estão vendo na televisão. Talvez porque eles mesmos são frequentadores assíduos de seus programas, sem questionar a qualidade daquilo que vêem.

TELEVISÃO VERSUS LEITURA



A IMPORTÃNCIA DA LEITURA
      
         Acredito que todos os pais têm aspirações semelhantes para os filhos: boa saúde, felicidade, trabalho interessante e satisfatório, estabilidade financeira, etc. Apesar desses pais desejarem o máximo de sucesso profissional e material a seus filhos, o maior presente que podem dar a eles é a paixão pela leitura. Se os pais e professores se preocuparem desde cedo em formar nos seus filhos e alunos o hábito da leitura, eles não perderão seu tempo com as programações impróprias oferecidas pela TV. E também não perecerão por falta de conhecimento, pois saberão pensar por si mesmos e tomar decisões mais sábias.
         Ler, escrever e pensar, é justamente isso que o próprio Governo Federal sugere na nova Lei de Diretrizes e Bases da educação brasileira (LDB). Ensinar as crianças e adolescentes a ler, a escrever e a se expressar de maneira competente na língua portuguesa é o grande desafio dos professores do ensino fundamental.
Os bons leitores têm grandes chances de escrever bem, já que a leitura é que fornece a matéria-prima para a escrita.
         Quem lê mais tem um vocabulário mais rico e compreende melhor a estrutura gramatical e as normas ortográficas da Língua portuguesa. bem como o sentido do que está lendo. Quanto mais variados, interessantes e divertidos forem os textos apresentados às crianças, maior será a chance delas tornarem-se leitoras hábeis. Indivíduos que têm pouco interesse pela leitura, têm dificuldades em aprender.
Somos advertidos e admoestados a ler, esse é o primeiro passo para aprender as verdades da Sagrada Escritura. “Bem-aventurado (feliz) aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.” (Apocalipse 1:3)
Um dos presentes mais valiosos que os pais podem deixar para os filhos, não é o livro em si, mas é o ato de “ler para”, ou, “com”, os filhos. Ler juntos é a melhor maneira de promover uma duradoura paixão pelos livros.
         LEITURA, IMAGINAÇÃO E CRIATIVIDADE
Carlos Eduardo Novaes em seu livro, “O Menino Sem Imaginação” (1996:22-149), conta de maneira muito criativa a história de uma família que, obrigada a viver sem a telinha, se vê constrangida a mudar seu dia-a-dia. No meio de toda essa mudança está Tavinho, um garoto que não tem imaginação criativa e que só é capaz de reproduzir aquilo que já viu antes, de preferência na televisão, ou seja: imaginação reprodutiva ou memória visual. O menino adora ver TV, e quando crescer seu desejo é sair da escola para não precisar fazer mais deveres e poder assistir televisão de manhã, de tarde e de noite. Nas férias passa dias interirinhos na frente da telinha, só sai para ir ao banheiro. Só compra aquilo que vê nos comerciais, e adora o sistema de vendas diretas em que o locutor ordena “ligue já!”
         Ele tem três aparelhos de TV em seu quarto, os quais chama de Babá, Plim-Plim e Fantástica. Além disso, o garoto se relaciona com eles como se fossem membros da família. Babá é a sua televisão mais antiga, ela o viu nascer e crescer. Tavinho a ganhou quando era ainda muito pequeno, presente de sua mãe. Ela o colocava sentado na frente do televisor para que ficasse ali, horas e horas, quietinho, sem chorar nem perturbar ninguém, apenas consumindo suas imagens. Enquanto Babá é lenta e demora para funcionar, Plim-Plim é uma televisão mais jovem, moderna e dinânica, ela está sempre animada e sente prazer em estar sempre ligada. Ela tem até um sistema de timer capaz de desligá-la sozinha após Tavinho pegar no sono. Fantástica é ultra-moderna, cheia de novidades e recursos tecnológicos de última geração. No dia que a recebeu, o garoto explodiu de emoção, e pegando um controle remoto pela primeira vez em suas mãos estendeu o braço para cima e gritou: “eu tenho a força”! Ele estava feliz por não precisar mais sair do lugar para mudar de canal, “agora ele tinha o controle”.
         Tavinho gosta de assitir as três tevês ao mesmo tempo, e passa o tempo todo olhando para elas e se abastecendo de imagens que ele não consegue criar por conta própria. Ele é tão viciado que ao sair na rua não pode ver uma TV ligada. O menino vive muito feliz assim, até o dia em que há uma pane no sistema de telecomunicações (anomalia magnética) e o Brasil interio fica sem televisão. O fenômeno vira o país de pernas pro ar, afinal, como viver sem TV? Provoca uma tragédia nacional e leva a população a manifestar atitudes de dependência da TV. Muitas delas vão ao desespero e à beira da loucura, dentre elas estão aquelas que só conseguem dormir “vendo” televisão. Outras, não suportando a ausência das imagens e a solidão, se suicidam. Surgem novas doenças relacionadas com a falta da TV, e consequentemente novos produtos e serviços para preeencher o vazio deixado por ela. O movimento nas farmácias era intenso, muita gente apresentava sintomas negativos provocados pela falta de TV. A grande maioria não sabe o que fazer sem as imagens da telinha e, num ato de desespero, correm para as locadoras de vídeos (que em pouco tempo ficam vazias) na tentativa de satisfazer suas necessidades audiovisuais.
         Essa situação cria um drama na família de tavinho, que estava reunida impacientemente para assitir o jogo do Brasil justamente quando a TV escureceu. Depois, diante dos chuviscos da televisão, ficam esperando em silêncio o retorno das imagens enquanto olham para a TV e ouvem um rádio colocado encima dela, parecendo um bando de malucos dominados pela força de um hábito arraigado durante anos. Quando a TV saiu do ar tiveram dificuldades para dialogar, estavam tão acostumados ao monólogo televisual que foi difícil voltar à prática desse “hábito antigo”. Parecia que além da televisão as pessoas também ficaram fora do ar ao se verem sem as imagens da TV. 
         A decepção aumenta ao ser anunciado pelo rádio e pelos jornais impressos que o fenômeno é a nível nacional e que não há previsão de quando as imagens voltarão, elas poderão demorar um ano ou até um século para retornar. A tristeza é geral, a grande pergunta que paira na cabeça de todos é: o que faremos sem a TV? A população se recolhe para as suas casas, estão perdidas, outras estão assustadas, muitas não sabem mais como se relacionar e o que falar umas com as outras, o constrangimento é quase geral, mas todas estão esperançosas de que as imagens voltem logo para restabelecer a rotina e segurança de suas vidas.
         A hora da novela, acompanhada com fervor religioso por milhares de telespctadores é um problema à parte. Mas não demora muito para surgirem fitas de vídeo vendidas pelos camelôs (via paraguai) contendo capítulos de novelas em  chinês. As pessoas não se importam de não entender, o que vale é ver as imagens. Mas nem todos se ressentem da falta de TV, por terem uma imaginação fértil e se interessarem por outras coisas, não reagem como a maioria.
         Todavia, Tavinho enfrenta um drama pessoal, e se vê obrigado a fazer sua imaginação funcionar aprendendo a imaginar criativamente sem as imagens da TV. Mas para que isso seja possível, ele tem de passar por um processo de desintoxicação televisual das imagens, armazenadas durante anos assistindo Babá, Plim-Plim e Fantástica. Aos poucos sua família vai percebendo que é possível sobreviver sem televisão e começa a manifestar sintomas positivos. A própria salinha de TV é transformada numa biblioteca e sala de leitura. Finalmente, quando o menino sem imaginação fica desintoxicado, a anomalia magnética acaba, as imagens retornam e a televisão é colocada como item principal nas lojas de eletrodomésticos. Mas, para Tavinho, isso não tem mais importância, ele agora tem imaginação criativa, e não precisa mais de Babá, nem de Plim-Plim e muito menos de Fantástica. Tavinho aprende, finalmente, a ligar sua “telinha interior”.
         O fato é que a televisão é capaz de sufocar a imaginação das pessoas, alienando-as e impedindo-lhes o contato com um universo cultural muito mais enriquecedor do que a sua limitada telinha. Ela passa tanta informação em tão pouco tempo que as pessoas apenas absorvem o que vêem sem parar para pensar sobre aquilo tudo. Considerando que olhar à TV produz uma grande concentração, pois envolve a constante composição das linhas de imagens, argumentos e ruídos, e que pode atrofiar nossa imaginação, a leitura parece ser a melhor opção para aqueles que desejam desenvolver a criatividade, alcançar o sucesso profissional e acima de tudo espiritual.
No entanto se não for revelado ao jovem, em casa ou na escola, os encantos da leitura, ele vai preferir sempre assistir televisão. Usando as palavras do autor, “é muito mais fácil formar um telespectador do que um leitor” (NOVAES, 1997:149)
         O texto de Apocalipse 1:3 também diz que além de ler é preciso ouvir e guardar as palavras da profecia, e para guardar (observar, seguir) é necessário entender o que se lê. Um princípio básico para reter o conteúdo e entendê-lo é ler sem esquecer. Não basta passar os olhos no texto e fazer de conta que armazenou o conteúdo, é necessário desenvolver algumas técnicas para não esquecer o que foi lido. Como escreveu o salmista: “Escondi (guardei, memorizei) a tua palavra no meu coração (na minha mente)...” (Salmos 119:11)
Há, no mínimo, doze motivos importantes para se interessar em desenvolver o hábito da boa leitura. São eles:
1- Quem lê sabe mais.
2- Quem lê sempre tem o que dizer.
3- Quem lê consegue os melhores empregos.
4- Quem lê tem mais amigos.
5- Quem lê tem mais argumentos.
6- Quem lê fala e se comunica melhor.
7- Quem lê tem mais oportunidades na vida.
8- Quem lê descobre o mundo.
9- Quem lê está sempre atualizado.
10-     Quem lê desvenda o conhecimento disponível.
11-     Quem lê exercita a mente.
12-     Quem lê tem mais criatividade.
Conclusão
Tire tempo para Deus, para você e sua família. Não permita que a teve domine sua vida.
Referencias: A INFLUÊNCIA DA TELEVISÃO NO DESENVOLVIMENTO BIOPSICOSOCIAL DA CRIANÇA
Por: Jorge N. N. Schemes
(Teólogo e Psicopedagogo)





domingo, 1 de julho de 2012

O Trino Deus


 A doutrina declarada.


As Escrituras ensinam que Deus é Um, e que além dele não existe outro Deus. Poderia surgir a pergunta: "Como podia Deus ter comunhão com alguém antes que existissem as criaturas finitas?" A resposta é que a Unidade Divina é uma Unidade composta, e que nesta unidade há realmente três Pessoas distintas, cada uma das quais é a Divindade, e que, no entanto, cada uma está sumamente consciente das outras duas. Assim, vemos que havia comunhão antes que fossem criadas quaisquer criaturas finitas. Portanto, Deus nunca esteve só. Não é o caso de haver três Deuses, todos três independentes e de existência própria. Os três cooperam unidos e num mesmo propósito, de maneira que no pleno sentido da palavra, são "um".
O Pai cria, o Filho redime, e o Espírito Santo santifica; e, no entanto, em cada uma dessas operações divinas os Três estão presentes.
A Trindade é uma comunhão eterna, mas a obra da redenção do homem evocou a sua manifestação histórica. O Filho entrou no mundo duma maneira nova ao tomar sobre si a natureza humana e lhe foi dado um novo nome, Jesus. O Espírito Santo entrou no mundo duma maneira nova, isto é, como o Espírito de Cristo incorporado na igreja. Mas ao mesmo tempo, os três cooperaram. O Pai testificou do Filho (Mat. 3:17); e o Filho testificou do Pai (João 5:19). O Filho testificou do Espírito (João 14:26), e mais tarde o Espírito testificou do Filho (João 15:26). Será tudo isso difícil de compreender? Como poderia ser de outra maneira visto que estamos tentando explicar a vida íntima do Deus Todo-poderoso! A doutrina da Trindade é claramente uma doutrina revelada, e não doutrina concebida pela razão humana. De que maneira poderíamos aprender acerca da natureza íntima da Divindade a não ser pela revelação? (1 Cor. 2:16.) É verdade que a palavra "Trindade" não aparece no Novo Testamento; é uma expressão teológica, que surgiu no segundo século para descrever a Divindade. Mas o planeta Júpiter existiu antes de receber ele este nome; e a doutrina da Trindade encontrava-se na Bíblia antes que fosse tecnicamente chamada a Trindade.
 O que diz a historia? A doutrina como historia
 
 Trezentos bispos da Igreja Ocidental (alexandrina) e da Igreja Oriental (antioquiana) reuniram-se em Nicéia, no grande concílio ecumênico, que procuraria definir com pre­cisão teológica a doutrina da Trindade. O propósito do con­cílio era tríplice: (1) esclarecer os termos usados para articu­lar a doutrina trinitariana; (2) desmascarar e condenar os erros teológicos que estavam presentes em vários seguimen­tos da Igreja; e (3) elaborar um documento que estivesse em harmonia com os princípios bíblicos e as convicções compar­tilhadas pela Igreja.
O bispo Alexandre estava pronto para a luta contra Ário. Os arianos estavam confiantes de que seriam vitorio­sos. Eusébio de Nicomédia preparou um documento, no qual continha o ponto de vista defendido pelos arianos, que foi, confiantemente, apresentado ainda no início do concílio. Por ter negado a divindade de Cristo, provocou a indignação da maioria dos presentes que, com firmeza, rejeitou o docu­mento. Em seguida, Eusébio de Cesaréia (que não era aria­no, embora fosse representante da Igreja Oriental) elaborou durante o debate um credo que se tomaria o modelo para o Nicéia.
O bispo Alexandre (e os alexandrinos em geral) ficou muito preocupado com as opiniões de Ário, pois elas poderi­am afetar a salvação pessoal, caso Cristo não fosse plena­mente Deus no mesmo sentido que o Pai o é. Para levar o homem à plena reconciliação com Deus, argumentava Ale­xandre, Cristo forçosamente tem de ser Deus.
O Bispo Alexandre reconhecia a linguagem da subordi­nação no Novo Testamento, especialmente as referências a Jesus como "Unigénito" do Pai. Indicava que o termo "gera­do" deve ser entendido do ponto de vista judaico, pois os que empregavam o termo na Bíblia eram hebreus. O uso hebrai­co do termo visa ressaltar a preeminência de Cristo. (Paulo fala nestes termos, empregando a palavra "primogênito" não com referência à origem de Cristo, mas aos efeitos salvíficos da sua obra de redenção (ver Cl 1,15,18.)
Alexandre respondeu a Ário, argumentando que a con­dição de o Filho ser o Unigénito é antecedida nas Escrituras, conforme mostra João 1.14 (o Filho é o Unigénito da parte do Pai), que indica que Ele compartilha da mesma natureza eterna de Deus (assim se harmoniza com a "geração eterna" do Filho, segundo Orígenes) .58 Aos ouvidos de Ário, que não se retratou, isso soava como um reconhecimento de que Cristo fora criado. Estava se esforçando desesperadamente por livrar a teologia das implicações modalísticas que, segun­do as palavras posteriormente atribuídas ao seu opositor principal, Atanásio, incorriam no perigo de "confundir as Pessoas entre si". Era, portanto, crucial fazer a distinção entre Cristo e o Pai.
O bispo Alexandre prosseguiu, declarando que Cristo é "gerado" pelo Pai, mas não no sentido de emanação ou criação. Teologicamente, o grande desafio da Igreja Ociden­tal era a explicação do conceito de homoousia sem cair na heresia modalística.
Atanásio geralmente recebe o crédito de ter sido o gran­de defensor da fé no Concílio de Nicéia. A parte maior da obra de Atanásio, porém, foi consumada depois desse gran­de concílio ecumênico.
Atanásio era inflexível, e embora deposto pelo Imperador em três ocasiões durante sua carreira eclesiástica, lutava com valentia em favor do conceito de Cristo ser da mesma essência (homoousios) que o Pai, e não meramente seme­lhante ao Pai quanto à sua essência (homoiousios). Durante o seu turno como bispo e defensor da ortodoxia (conforme revelou ser), era praticamente "Atanásio contra o mundo".
A escola alexandrina acabou triunfando sobre os arianos, e Ario voltou a ser condenado e excomungado. Na fórmula confessionária da doutrina da Trindade em Nicéia, Jesus Cristo é o "Filho Unigénito de Deus; gerado de seu Pai antes da fundação do mundo, Deus de Deus, Luz de Luz, Verda­deiro Deus de Verdadeiro Deus; gerado, não feito; consubstancial com o Pai".
Posteriormente, a Igreja viria a empregar o termo "proce­der" em lugar de "geração" ou "gerado", com o propósito de expressar a subordinação salvífica do Filho ao Pai. O Filho procede do Pai. Um tipo de primazia ainda é atribuída ao Pai com relação ao Filho, mas essa primazia não é cronológica; o Filho sempre existiu como o Verbo. Mesmo assim, o Filho foi "gerado" pelo Pai ou "procedeu" do Pai, e não o Pai do Filho.
Esse "proceder" do Filho em relação ao Pai (já no século VIII, chamada "filiação") é entendido teologicamente como um ato necessário da vontade do Pai, de modo que fique impossível existir o conceito do Filho não provindo do Pai. Daí, a "procedência" do Filho estar eternamente no presen­te, um ato que perdura, nunca terminando. O Filho, portan­to, é imutável (não sujeito à mudança, Hb 13.8), assim como o Pai é imutável (Ml 3.6). A filiação do Filho, certamente, não é no sentido de ter sido gerada outra pessoa com a sua divina essência, pois o Pai e o Filho são igualmente Deidade e, portanto, da "mesma" natureza indivisível. O Pai e o Filho (com o Espírito) existem juntos em subsistência pesso­al (o Filho e o Espírito são pessoalmente distintos do Pai na sua existência eterna).
Embora a exposição das complexidades linguísticas do Credo de Nicéia pareça frustrante para nós hoje, levando-se em conta a distância de 1.600 anos, é importante conside­rarmos a necessidade crucial de se manter a fórmula parado­xal do Credo de Atanásio: "Um só Deus na Trindade, e a Trindade na Unidade". A exatidão teológica é crítica, pois os termos ousia, hupostasis, substantia e subsistência nos oferecem um entendimento conceptual do que é a ortodoxia trinitariana, como no caso do Credo de Atanásio: "O Pai é Deus, o Filho é Deus, e o Espírito Santo é Deus. E, porém, não são três deuses, mas um só Deus".
Entre 361-81, a ortodoxia trinitariana passou por mais refinamentos, mormente no tocante ao terceiro membro da Trindade, o Espírito Santo. Em 381, em Constantinopla, os bispos foram convocados pelo Imperador Teodócio, e as declarações da ortodoxia de Nicéia foram reafirmadas. Além disso, houve menção explícita do Espírito Santo em termos de deidade, como o "Senhor e Doador da vida, procedente do Pai e do Filho; o qual, com o Pai e o Filho juntamente é adorado e glorificado; o qual falou pelos profetas".63
O título "Senhor" (gr. kurios), empregado nas Escrituras em alguns textos para atribuir e explicitar a divindade, é destinado aqui (no Credo de Nicéia-Constantinopla) ao Es­pírito Santo. Logo, aquEle que procede do Pai e do Filho (Jo 15.26) subsiste pessoalmente desde a eternidade dentro da Deidade, sem divisão ou mudança quanto à sua natureza (Ele é essencialmente homoousios com o Pai e o Filho).
As propriedades pessoais (as operações interiores de cada Pessoa dentro da Deidade) atribuídas a cada um dos mem­bros da Trindade são assim entendidas: o Pai é ingênito; o Filho é gerado; e o Espírito Santo procede dEles. A insistên­cia nessas propriedades pessoais não é tentar explicar a Trin­dade, mas fazer a distinção entre as fórmulas ortodoxas trinitarianas e as fórmulas heréticas modalísticas.
As distinções entre os membros da Deidade não se refe­rem à sua essência ou substância, mas ao relacionamento. Noutras palavras: a ordem de existência na Trindade, no tocante ao ser essencial de Deus, está espelhada na Trindade salvífica. "São, portanto, três, não na posição, mas no grau; não na substância, mas na forma; não no poder, mas na sua manifestação".
O processo contínuo da pesquisa da natureza do Deus vivo cede lugar, a essa altura, à adoração. Juntamente com os apóstolos, os pais da igreja, os mártires e os maiores teólogos no decurso da história da Igreja, temos de reconhecer que "toda a boa teologia termina com uma doxologia", (cf. Rm 11.33-36).

A doutrina definida.


Bem podemos compreender porque a doutrina da Trindade era às vezes mal entendida e mal explicada. Era muito difícil achar termos humanos que pudessem expressar a unidade da Divindade e ao mesmo tempo, a realidade e a distinção das Pessoas. Ao acentuar a realidade da Divindade de Jesus, e da personalidade do Espírito Santo, alguns escritores corriam o perigo de cair no triteísmo, ou a crença em três deuses. Outros escritores, acentuando a unidade de Deus, corriam perigo de esquecer-se da distinção entre as Pessoas. Este último erro é comumente conhecido como sabelianismo, doutrina do bispo Sabélio que ensinou que Pai, Filho, e Espírito Santo são simplesmente três aspectos ou manifestações de Deus. Essa doutrina do sabelianismo é claramente antibíblica e carece de aceitação, por causa das distinções bíblicas entre o Pai, o Filho, e o Espírito. O Pai ama e envia o Filho, o Filho veio do Pai e voltou para o Pai. O Pai e o Filho enviam o Espírito; o Espírito intercede junto ao Pai. Se, então, o Pai, o Filho e o Espírito são apenas um Deus sob diferentes aspectos ou nomes, então o Novo Testamento é uma confusão (João 17)
Como foi preservada a doutrina da Trindade de não se deslocar para os extremos, nem para o lado da Unidade (sabelianismo) nem para o lado da Tri-unidade (triteismo)?
Foi pela formulação de dogmas, isto é, interpretações que definissem a doutrina e a "protegessem" contra o erro. O seguinte exemplo de dogma acha-se no Credo de Atanásio formulado no quinto século:
“Adoramos um Deus em trindade, e trindade em unidade. Não confundimos as Pessoas, nem separamos a substância. Pois a pessoa do Pai é uma, a do Filho outra, e a do Espírito Santo, outra. Mas no Pai, no Filho e no Espírito Santo há uma divindade, glória igual e majestade co-eterna. Tal qual é o Pai, o mesmo são o Filho e o Espírito Santo. O Pai é incriado, o Filho incriado, o Espírito incriado. O Pai é imensurável, o Filho é imensurável, o Espírito Santo é imensurável. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno. E, não obstante, não há três eternos, mas sim um eterno. Da mesma forma não há três (seres) incriados, nem três imensuráveis, mas um incriado e um imensurável. Da mesma maneira o Pai é onipotente. No entanto, não há três seres onipotentes, mas sim um Onipotente. Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, e o Espírito Santo é Deus. No entanto, não há três Deuses, mas um Deus. Assim o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, e o Espírito Santo é Senhor. Todavia não há três Senhores, mas um Senhor”.
A declaração acima pode parecer-nos complicada, por tratar-se de pontos sutis; mas nos dias primitivos demonstrou ser um meio eficaz de preservar a declaração correta sobre verdades tão preciosas e vitais para a igreja.

A doutrina provada.


ESSA REVELAÇÃO ENCONTRA-SE NAS ESCRITURAS.
(a) O Antigo Testamento. O Antigo Testamento não ensina clara e diretamente sobre a Trindade, e a razão é evidente. Num mundo onde o culto de muitos deuses era comum, tornava-se necessário acentuar esta verdade em Israel, a verdade de que Deus é Um, e de que não havia outro além dele. Se no princípio a doutrina da Trindade fosse ensinada diretamente, poderia ter sido mal entendida e mal interpretada. Muito embora essa doutrina não fosse explicitamente mencionada, sua origem pode ser vista no Antigo Testamento. Sempre que um hebreu pronunciava o nome de Deus (Elohim) ele estava realmente dizendo "Deuses", pois a palavra é plural, e às vezes se usa em hebraico acompanhada de adjetivo plural (Jos. 24:18, 19) e com verbo no plural. (Gên. 35:7.)
Imaginemos um hebreu devoto e esclarecido ponderando o fato de que Deus é Um, e no entanto é Elohim — "Deuses". Facilmente podemos imaginar que ele chegasse à conclusão de que exista pluralidade de pessoas dentro de um Deus. Paulo, o apóstolo, nunca cessou de crer na unidade de Deus como lhe fora ensinada desde a sua mocidade (1 Tim. 2:5; 1 Cor. 8:4);
Todos os membros da Trindade são mencionados no Antigo Testamento:
1) O Pai. (Isa. 63:16; Mal. 2:10.)
2) O Filho de Jeová . (Sal. 45:6, 7; 2:6, 7, 12; Prov. 30:4.) O Messias é descrito com títulos divinos. (Jer. 23:5, 6; Isa. 9:6.) Faz-se menção do misterioso Anjo de Jeová que leva o nome de Deus e tem poder tanto para perdoar como para reter os pecados. (Êxo. 23:20,21.)
3) O Espírito Santo. (Gên. 1:2; Isa. 11:2, 3; 48:16; 61:1; 63:10.) Prenúncios da Trindade vêem-se na tríplice bênção de Num. 6:24-26 e na tríplice doxologia de Isa. 6:3.

(b) O Novo Testamento. Os cristãos primitivos mantinham como um dos fundamentos da fé o fato da unidade de Deus. Tanto ao judeu como ao pagão podiam testificar: "Cremos em um Deus." Mas ao mesmo tempo eles tinham as palavras claras de Jesus para provar que ele arrogou a si uma posição e uma autoridade que seriam blasfêmia se não fosse ele Deus. (Rom. 9:5). Várias passagens do Novo Testamento mencionam as três Pessoas Divinas. (Vide Mat. 3:16, 17; 28:19; João 14:16, 17, 26; 15:26; 2 Cor. 13:14; Gál. 4:6; Efés. 2:18; 2 Tes. 3:5; 1Ped. 1:2; Efés. 1:3, 13; Heb. 9:14.) Uma comparação de textos tomados de todas as partos das Escrituras mostra o seguinte:
1) Cada uma das três Pessoas é Criador, embora se declare que há um só Criador. (Jo 33:4 e Isa. 44:24.)
2) Cada uma é chamada Jeová (Deut. 6:4)

A doutrina ilustrada.


COMO PODEM TRÊS PESSOAS SER UM DEUS?
é uma pergunta que deixa muita gente perplexa. Não nos admiramos dessa estranheza, pois, ao considerar a natureza interna do eterno Deus, estamos tratando de uma forma de existência muito diferente da nossa.
Mas existe um método pelo qual as verdades que estão além do alcance da razão ainda podem, até certo ponto, tomar-se perceptíveis a ela. Referimo-nos ao uso da ilustração ou da analogia. Porém elas devem ser usadas com cuidado, e não forçadamente.
"Toda comparação manca", disse um sábio da antiga Grécia. Até as melhores são imperfeitas e inadequadas. Elas podem ser comparadas a minúsculas lanternas elétricas que nos ajudam a enxergar algum tênue vislumbre da razão das verdades imensuráveis, vastas demais para serem perfeitamente compreendidas.
Obtemos de três fontes as ilustrações: a natureza; a personalidade humana; e as relações humanas.

(a) A natureza proporciona muitas analogias.
1) A água é uma, mas esta também é conhecida sob três formas — água, gelo e vapor.
2) Há uma eletricidade, mas no bonde ela funciona sob a forma de movimento, luz e calor.
3) O sol é um, mas se manifesta como luz, calor e fogo.
4) Quando São Patrício evangelizava os irlandeses, explicou a doutrina da Trindade usando o trevo como ilustração.
5) é de conhecimento geral que todo raio de luz realmente se compõe de três raios: primeiro, o actinico, que é invisível; segundo, o luminoso, que é visível; terceiro, o calorífero, que produz calor, o qual se sente mas não se vê. Onde há estes três, ali há luz; onde há luz, temos estes três. João o apóstolo, disse: "Deus é luz". Deus o Pai é invisível; ele se tomou visível em seu Filho, e opera no mundo por meio do Espírito, que é invisível, no entanto, é eficaz.
6) Três velas num quarto darão uma só luz.
7) O triângulo tem três lados e três ângulos; tirai-lhe um lado e não é mais triângulo. Onde há três ângulos há um triângulo.

(b) A personalidade humana.
1) Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme à nossa semelhança." O homem é um, e, no entanto, tripartido, constituído de espírito, alma e corpo.
2) O conhecimento humano assinala divisões na personalidade. Não temos sido cônscios, às vezes, de arrazoarmos com nós mesmos e de estarmos ouvindo a conversação? Eu falo comigo mesmo, e me escuto falando comigo mesmo!

(c) Relação
1) Deus é amor. Era eternamente Amante. Mas o amor requer um objeto a ser amado; e, sendo eterno, deve ter tido um objeto de amor eterno, a saber, seu filho. O Amante eterno e o Amado eterno! O Vínculo eterno e o caudal desse amor é o Espírito Santo.
2) Nosso governo é um, mas é constituído de três poderes: legislativo, judiciário e executivo.

Veja uma aparente contradição com respeito a essa doutrina :

COMO PODE A DECLARAÇÃO DE JESUS, "O PAI É MAIOR DO QUE EU" (JO 14.28) ESTAR COERENTE COM A DOUTRINA DA TRINDADE?
Em João 14.28, Jesus diz o seguinte: "Se vocês me amassem, ficariam contentes porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu". A Trindade é definida no Breve Catecismo de Westminster (n.° 6) como segue: "Há três pessoas na Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; esses três são o único Deus, e cada um o mesmo em substância, igual em poder e glória". Como, pois, pode o Filho afirmar que o Pai é maior (meizon) do que ele?
Jesus está falando aqui, não de sua natureza divina, mas da humana, como Filho do homem. Cristo veio para sofrer e morrer, não como Deus, que não pode padecer, mas como o segundo Adão, nascido de Maria. Só como ser humano poderia Jesus servir como o Messias, ou Cristo (o Ungido). A menos que tivesse uma natureza humana verdadeira, genuína, jamais poderia ter representado os descendentes de Adão e levar sobre si os nossos pecados na cruz. Por isso, como Filho do homem, é certo que ele era inferior a Deus, o Pai. Isaías 52.13-53 esclarece a questão: Jesus só poderia ser nosso Salvador ao tornar-se o Servo de Iavé que, por definição, jamais pode ser tão grande como seu senhor. Daí decorre que Jesus só entraria na presença do Pai, que é maior em dignidade e posição do que o Filho do homem, como o Redentor que venceu a morte.
Todavia, como Deus, o Filho, à parte a encarnação, as Escrituras nunca sugerem a existência de algum contraste em glória, entre o Pai e o Filho. As seguintes passagens deixam esse ponto claríssimo: João 1.1, 18; 8.58; 10.30; 14.9; 17.5; Romanos 9.5 ("Cristo [...] Deus acima de todos, bendito para sempre"); Colossenses 2.2; Tito 2.13; Hebreus 1.8; 1 João 5.20; cf. também Isaías 9.6 (afirma que Emanuel, nascido da virgem também é Deus forte — ’el gibbôr).
Quanto a 1 João 5.7, que diz: "Há três que dão testemunho [no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são unânimes". A única parte desse versículo que aparece em algum manuscrito grego, anterior ao século xv, é a primeira cláusula apenas: "Há três que dão testemunho", e em seguida vem o versículo: "o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes" (lit., "são só um"). O resto do versículo aparece em manuscritos em latim antigo, datados do século v, não em grego, senão em 635 d.C, como nota marginal. Portanto, parece-nos melhor omitir esse versículo da lista de passagens que comprovam a Trindade divina, ainda que aparente conter excelente teologia.


Conclusão

A doutrina da Trindade é o caráter distintivo da revela­ção que Deus fez de si mesmo nas Sagradas Escrituras. Fi­quemos, pois, firmes em nossa confissão de um só Deus, "eternamente existente em si mesmo... como Pai, Filho e Espírito Santo".
Santo! Santo! Santo! Deus Onipotente!
 Tuas obras louvam teu nome com fervor;
Santo! Santo! Santo! Justo e compassivo! És Deus triúno, excelso Criador!

Minhas Postagens

... A BÍBLIA É O FENÔMENO EXPLICÁVEL APENAS DE UM MODO – ELA É A PALAVRA DE DEUS...

... A BÍBLIA É O FENÔMENO EXPLICÁVEL APENAS DE UM MODO – ELA É A PALAVRA DE DEUS...
O fato de que Deus nos deu a Bíblia é evidencia e exemplo de seu amor por nos, nos ensinando a manter um relacionamento correto com Deus, mas como podemos ter evidencias de que a Bíblia é mesmo a palavra infalível de Deus e não simplesmente um bom livro? O que é único na Bíblia que a separa dos demais livros escritos até hoje? A Bíblia é a verdadeira Palavra de Deus, divinamente inspirada, e totalmente suficiente para todas as questões de fé e prática. Não pode haver duvidas sobre a veracidade bíblica. Ela não é um livro que um homem escreveria se pudesse, ou que poderia escrever se quisesse.

QUE TEMPO CURTO!

QUE  TEMPO CURTO!
Se for ensinar, haja dedicação ao ensino (Rm 12.7b). Quase todos nós já passamos pela experiência de ver um professor da Escola Dominical ser surpreendido pelo soar do sinal anunciando o término da aula. Muitos são os professores e alunos que vivem se queixando do pouco tempo reservado para o estudo em classe. Alguns professores chegam dizer, frustrados, que a aula terminou exatamente quando começava a tratar da melhor parte do seu conteúdo. A questão não é falta de tempo e sim de planejamento. Quando não há planejamento da aula, não importa o tempo a ela reservado, tudo sairá atabalhoadamente dando a impressão de que está faltando algo. Quando existe planejamento, mesmo que o tempo seja curto, haverá produtividade e satisfação na aula dada. O problema não é o tempo, reafirmo, mas o planejamento. O planejamento de uma aula para a Escola Dominical deve levar em consideração vários fatores.

Alguém precisa fazer algo!

Alguém precisa fazer algo!
JANELA 10/40 é uma faixa da terra que se estende do Oeste da África, passa pelo Oriente Médio e vai até a Ásia. A partir da linha do equador, subindo forma um retângulo entre os graus 10 e 40. A esse retângulo denomina-se JANELA 10/40.Calcula-se que até hoje menos da metade da população mundial com as suas etnias e línguas tenham sido confrontadas com o evangelho. A outra parte, com sua maioria absoluta na Janela 10/40, representa uma grande multidão de cerca de 3,2 bilhões de pessoas que ainda são objetos dos empreendimentos missionários do povo de Deus.

DICAS PARA UMA LEITURA PROVEITOSA.

DICAS PARA UMA LEITURA PROVEITOSA.
. Então, aí vai dez dicas para ler sem esquecer, a primeira vista, muitas podem parecer óbvias. Mas não as subestime. Não é sempre que a gente enxerga o óbvio. 1- Não leia cansado nem ansioso. Se for o caso, faça exercícios de respiração antes de começar a leitura. O estresse é o inimigo número um da concentração e, em consequência, da memorização. 2- Tenha vontade de aprender o que será lido. 3- Se não tiver vontade de antemão, procure criar interesse pelo assunto. A curiosidade é a mola da humanidade. 4- Sublinhe as palavras mais importantes e as frases que expressem melhor a idéia central. 5- Analise as informações e crie relação entre elas, seja nas linhas de cima ou com tudo o que você aprendeu na vida, trazendo-as para o seu mundo. A associação de idéias é fundamental. 6- Leve sempre em conta coisas como: 1- Grau de dificuldade do texto (ler um gibi não é o mesmo que ler sobre filosofia). 2- Objetivo (Só querer agradar alguém, e mais nada, não é o melhor caminho para gravar uma informação. 3- Necessidade (querer ler é bem diferente de depender disso). 7- Faça perguntas ao texto e busque respostas nele. 8- Repita sempre, desde ler de novo até contar para laguém o que você leu. 9- Faça uma síntese mental. Organizar bem as idéias já é meio caminho andado. 10- A memória prefere imagens a palavras ou sons. Por isso, tente criar uma história com aquilo que está lendo, com cenas coloridas e movimentadas. Sammy Pulver comentou muito bem a sensação de quem descobriu e está experimentando os prazeres de uma boa leitura: Na vida nos ensinam a amar, a sorrir, a andar, a lutar, mas quando abrimos um livro, descobrimos que também podemos voar.