quarta-feira, 28 de março de 2012

O APOCALIPSE


O QUE É UM APOCALIPSE?
Toda a literatura apocalíptica é escatológica. Em outras palavras, aborda a questão dos "tempos do fim», o término do mundo segundo o conhecemos, o começo de um novo ciclo, ou, em alguns casos, o estado eterno. Nem toda a literatura escatológica, porém, é apocalíptica. Pode-se falar, por exemplo, sobre a "alma» e seu destino, e isso nos levaria a tratar de certo aspecto do ensinamento escatológico normal, mas, ao mesmo tempo, nada de distintamente apocalíptico estará sendo envolvido nesse ensino. De modo bem geral, pode-se afirmar que essa forma literária trata da escatologia, pois visa dizer-nos as condições que haverá nos últimos tempos, nos tempos futuros remotos, mas sua apresentação fala daqueles acontecimentos futuros que terão lugar durante dias angustiosos, em que uma antiga era passará em meio a tempestades e agonias, iniciando-se uma era inteiramente nova, através das mais severas dores de parto. Mas isso não é uma característica normal e necessária dos escritos escatológicos.
O espírito apocalíptico dominava a igreja primitiva. O fato de que o reino de Deus não se materializou então deu, aos primeiros discípulos de Cristo, a ardente esperança que a«breve- e mesmo «iminente- segunda volta de Cristo (a«parousia» dos escritos neotestamentários) haveria de desfazer o erro de sua «rejeição», cumprindo todas as expectações da humanidade acerca de uma era melhor. Mas essa era melhor não haverá de iniciar-se senão através da morte agonizante e terrível da antiga era, e a literatura apocalíptica é, essencialmente, descrição dessa morte febricitante, com descrições adicionais do glorioso nascimento da nova era que se seguirá.

A literatura apocalíptica, pois, tem um «propósito presente». Os fiéis necessitam de força espiritual para passar pelas aflições, desapontamentos e pressões desta era ímpia em que vivemos. Serão mais capazes disso se puderem antever a vitória, a qual, finalmente, reverterá os terrores do momento presente. Os escritos apocalípticos prometem que os adversários de Deus não escaparão ao juízo por causa daquilo que fizeram, por seus feitos ímpios que praticaram. Além disso, promete que aquilo contra o que os perversos se têm oposto, o governo de Deus sobre a terra, eventualmente cumprirá, a despeito deles. Outrossim, promete que até mesmo muitos daqueles que se têm oposto a isso, através dos juízos haverão de reconhecer a mão de Deus na história, acolhendo a seu Cristo como Senhor deles.

TELESCÓPIO DA ERA DA IGREJA
A era da igreja é:
«AS COUSAS... QUE SÃO ..(Que retrata a época do autor sagrado). Contudo, trata-se de profecias simbólicas de coisas que «serão». Essas «coisas que são» foram precedidas pelas - COÍSAS QUE ERAM», isto é, aquilo que João «vira», a visão inicial (ver Apo. 1:1-20). Após as cartas para a era da igreja aparecem as
«COUSAS... QUE HÃO DE ACONTECER DEPOIS DESTAS», ou seja, aquilo que deverá transpirar imediatamente antes da segunda vinda de Cristo. Portanto, temos em
Apo. 1:20 um esboço bem simples do livro: coisas que foram, coisas que são e coisas que hão de acontecer. No primeiro capítulo temos o passado; nos capítulos segundo e terceiro temos o presente; nos capítulos quarto a vigésimo segundo temos o futuro, os últimos dias.

TELESCÕPIO DA ERA DA IGREJA
Éfeso, era
Apostólica
Esmirna, era de perseguições  até 316
Pérgamo, era de favor imperial 317- 500
Tiatira, era  negra
500-1700
Sardes, tempo da Reforma
1500- 1700
Filadélfia, era das missões modernas
1700- 1900
 Laodicéia, era da igreja apostata
1900


AUTORIA

Duas posições extremas são tomadas quanto à questão da autoria dos livros Joaninos (que consistem do evangelho de João, de três epístolas de João e do Apocalipse), a saber:
1. Teria havido um único autor desses cinco livros, o qual foi o apóstolo João.
2. Cada um desses cinco livros teria tido um autor diferente, pelo que nenhuma conexão real com o apóstolo João pode ser demonstrada entre eles.

A resposta mais simplista a ambas essas posições extremas consiste da afirmativa de que o evangelho e as epistolas de João foram escritas por um autor ao passo que o Apocalipse teria sido de autoria de um outro João, o ancião ou vidente da Ásia Menor, embora também pertencente à escola joanina. Essa declaração simplista está sujeita a todas as formas de objeção e disputa; mas é tão boa como qualquer outra idéia que já tenha sido apresentada. Pelo menos é certo que o evangelho de João e o livro de Apocalipse não podem ter sido escritos pelo mesmo autor. O grego do evangelho de João é simples, quase infantil, embora gramaticalmente correto. Mas o grego do livro de Apocalipse é bárbaro, com muitos desacordos quanto ao gênero, além de erros verbais. Foi escrito por algum judeu que tinha o grego como sua segunda língua, o qual não se interessava especialmente pelos casos gregos, pela concordância em gênero, etc. Pensava ele em hebraico, e algumas de suas declarações só podem ser compreendidas quando é reconstituído um «hebraico tentatívo» (ou aramaico). Contudo, a despeito de todos os abusos feitos contra o idioma grego, ele se sentia à vontade em seu manuseio. Sem dúvida falava o grego e, o usava em seus contactos diários. De fato. produziu ele o maior dos «apocalipses», e isso não foi realização pequena para quem usou um «segundo idioma». Podemos supor que, se ele tivesse escrito sua obra em aramaico, o resultado literário teria sido ainda maior.

Justino Mártir atribuía o livro de Apocalipse ao apóstolo, João. Esse ponto de vista veio a ser largamente aceito na igreja, - em alguns lugares, entretanto, essa posição era ardorosamente combatida, e até mesmo rejeitada. O próprio livro não afirma ser de autoria de João, o «apôstolo»: e poderíamos supor corretamente que se ele o tivesse realmente escrito, ter-se-ia identificado como tal. Outrossim, se João, o apóstolo, o escreveu, não há razão para supormos que não tivesse recebido reconhecimento antigo e universal, conforme sucedeu no caso das epístolas de Paulo. O fato de que somente nos meados do século 11 D.C. é que seu autor foi identificado como o apóstolo João, e que mesmo assim muitos continuavam a rejeitar sua "autoridade, sob qualquer consideração, especialmente como livro de autoria joanina, mostra-nos que é quase impossível que o próprio apóstolo João tivesse sido o seu autor.

 Se voltarmos para a questão da evidência interna, - podemos observar que o autor não faz nenhuma tentativa para identificar-se com os doze apóstolos originais. ' Apesar de que ele se chama «João» em quatro versículos (ver Apo.l:1,4,9, e 22:8). Nunca deixa entendido que ele era o «João» do círculo original dos apóstolos. Em parte alguma ele afirma ter sido testemunha ocular da vida terrena de Jesus. Seu conhecimento de Jesus veio por revelação, e não através da história. Em Apo. 21:14, ao mencionar que a muralha da cidade tinha doze alicerces, inscritos com os nomes dos doze apóstolos originais, não parece identificar-se com qualquer deles. Em Apo. 18:20 ele fala sobre os «doze» de modo bastante objetivo, mas novamente sem dar a entender que fosse um deles.

Historicamente, bem se poderia pôr em dúvida que o apostolo João tenha vivido até o fim do século I D.C. ou começo do segundo século, para que pudesse ter sido o autor do livro de Apocalipse. Há uma tradição, preservada por meio de Papias, que situa a morte de João próxima ao tempo da morte de seu irmão, Tiago, isto é, antes do ano 70 D.C. A passagem de Mar. 10:39 presumivelmente prediz isso; e notemos que Jesus se referiu a esses dois irmãos. Contudo, há outras tradições que associam o apóstolo João com a Ásia Menor, referindo-se a ele como homem idoso. E é possível que se aceitarmos estas últimas tradições que João tenha vivido até um tempo em que poderia ter escrito o livro de Apocalipse. Irineu foi quem nos expôs essa tradição. Mas, visto que as tradições não concordam entre si, nesse ponto, nada de certo pode ser extraído delas acerca da autoria do livro de Apocalipse. George Hamartolus, bem como um manuscrito seu (do século IX D.C.) repete essa tradição preservada por Papias, no sentido que João morreu às mãos dos judeus (decapitado), mais ou menos à época de seu irmão. Portanto, sem importar.' para que lado nos voltemos, historicamente falando, não podemos ter certeza de que o apóstolo João realmente teve tantas décadas de serviço em Éfeso ou não, o que significa Que não sabemos se ele viveu o tempo suficiente para escrever o livro de Apocalipse, o qual, mui provavelmente, reflete as perseguições instauradas contra a igreja cristã nos tempos de Domiciano (falecido em 96 D.C.), ou posteriormente

 A maioria dos eruditos acredita, com base em citações antigas, que certo «João... Foi quem o escreveu. Um individua que Papias chamou de «João, o ancião.., que viveu em Éfeso, no começo do século 11 D.C., é identificado por alguns como seu autor. Esse autor João supostamente também teria sido discípulo do Senhor, e o seu túmulo estaria ao lado do de João, o apóstolo, na Ásia Menor. Dionisio fez a mesma sugestão, isto é, que «João, o ancião», escreveu o livro de Apocalipse. Jerônimo também falou sobre o sepulcro desse outro João, em .&:feso» (ver «De viris», iIlus.9). Vários escritores antigos pensam que esse «ancião» também foi o autor das epistolas joaninas.


JOÃO, O VIDENTE.

Hã ainda uma terceira possibilidade, que talvez seja mais viável que aquelas acima mencionadas, a saber, que um terceiro João está em foco, o qual foi um «profeta» (vidente), que não foi nem o «ancião» e nem o «apóstolo». No próprio livro de Apocalipse, esse João não se chama de «ancião.., conforme se vê na segunda e na terceira epistolas de João; mas não se denomina «apóstolo.., o que é declarado no evangelho de João, em seu epílogo. Mas mui definidamente toma a posição e o direito de um profeta, conforme se vê claramente no primeiro capitulo do livro de Apocalipse. (“Ver também Apo, 22:9, onde se vê que os profetas do N.T., em sentido especial, são; servos do Senhor», o que é repetido em Apo. 1:1;
10:7; 11:18 e 22:6). O autor recebeu ordem de «profetizar» (ver Apo. 1:3). E o Apocalipse é um livro de profecia (ver Apo. 1:3; 10:11 e 22:7,10,18). Mui provavelmente o autor foi um judeu da Palestina, homem dotado de grande estatura espiritual e gênio, dotado de pensamentos e de discernimento profundos. O aramaico era seu idioma natural, e o grego era apenas um idioma adquirido.

A ESCOLA JOADINA.

Apesar da gramática do livro de Apocalipse mostrar que o autor sagrado não pode ser identificado com o autor do evangelho de João, há certas similaridades, em pensamento e conceito, que podem ser corretamente tidas como sinais de identificação do autor com a escola joanina de Éfeso. Consideremos os pontos seguintes:

               1. Há a comparação de frases similares: João 16:2 com Apo. 2:2; 13:8 com 20:6; 3:8,21 com 22:15 e 7:37 com 22:17.

               2. Há a mesma significação teológica conferida a termos teológicos como «vida», «morte», «glória», «fome» e «sede».

                3. Algumas palavras e frases são mais freqüentemente usadas pelos dois autores do que em qualquer outro livro do N.T. Por exemplo «poiéin semeion», quatro vezes no Apocalipse e catorze vezes no evangelho de João, mas apenas quatro vezes em todo o resto do N. T.; «terein t. entolas.., duas vezes no Apocalipse, sete vezes no evangelho de João, e cinco vezes na primeira epistola de João; «deiknumai.., oito vezes no Apocalipse e sete vezes no evangelho de João; «ebraisti», duas vezes no Apocalipse e cinco vezes no evangelho de João; «marturia»; nove vezes no Apocalipse, catorze vezes no evangelho de João e seis vezes na primeira epistola de João, além de uma vez na segunda epistola de João; «piazein», uma vez no Apocalipse e oito vezes na primeira epistola de João; «semainein», uma vez no Apocalipse e três vezes no evangelho de João; «philein», duas vezes no Apocalipse e treze vezes no evangelho de João; «aphazein», oito vezes no Apocalipse e duas vezes na primeira epistola de Joio.

                4. Há idéias similares. Exemplos disso são que não haverá templo na Jerusalém celestial (ver Apo. 21:22); e o templo deixará de existir como centro de adoração (ver João 4:21). Figura a doutrina do Cordeiro de Deus em João 1:29,36; Apo. 5:6,8,12,13; 6:1,16; 7:9,10,14,17; 12:11; 13:8; 14:1,4, 10; 15:3; 17:14; 19:7,9; 21:9,14,22,23,27; 22:1,3.

                 5. O número «sete» permeia o livro de Apocalipse. Apesar de não ser isso especificamente declarado no evangelho de João, há sete «sinais.. neste último, começando e terminando o mesmo com uma «semana» sagrada. Igualmente, o seu testemunho acerca de Cristo se desdobra em sete aspectos.

CONCLUSÃO

.  A conclusão que disso tudo se pode extrair é que esses cinco litros o evangelho, as três epistolas e o Apocalipse - foram produzidos pela mesma escola, a escola joanina, de Efeso. Consideremos ainda os três pontos abaixo:

1. O evangelho de João deve ter sido escrito por um discípulo imediato de João, perpetuou sua tradição, incluindo suas narrativas e seu testemunho. O evangelho de João é corretamente chamado «de João", no mesmo sentido em que o evangelho de Marcos poderia ser chamado de «evangelho de Pedro", porquanto tal evangelho preservou para nós a tradição apostólica que chegou até nós, com base nas memórias de Pedro.

. 2. As epístolas joaninas poderiam ter sido escritas por esse mesmo autor. A primeira epístola de João certamente o foi. Seja como for, outro elemento da escola joanina esteve envolvido, se não foi o mesmo individuo.

3. O Apocalipse foi escrito por João, o «vidente", e não pelo «ancião", ou pelo «apóstolo», embora tivesse sido ele, por igual modo, um membro da escola joanina.

Referencias: O Novo Testamento lnterpretado N.R.Champlin.

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... A BÍBLIA É O FENÔMENO EXPLICÁVEL APENAS DE UM MODO – ELA É A PALAVRA DE DEUS...

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O fato de que Deus nos deu a Bíblia é evidencia e exemplo de seu amor por nos, nos ensinando a manter um relacionamento correto com Deus, mas como podemos ter evidencias de que a Bíblia é mesmo a palavra infalível de Deus e não simplesmente um bom livro? O que é único na Bíblia que a separa dos demais livros escritos até hoje? A Bíblia é a verdadeira Palavra de Deus, divinamente inspirada, e totalmente suficiente para todas as questões de fé e prática. Não pode haver duvidas sobre a veracidade bíblica. Ela não é um livro que um homem escreveria se pudesse, ou que poderia escrever se quisesse.

QUE TEMPO CURTO!

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Se for ensinar, haja dedicação ao ensino (Rm 12.7b). Quase todos nós já passamos pela experiência de ver um professor da Escola Dominical ser surpreendido pelo soar do sinal anunciando o término da aula. Muitos são os professores e alunos que vivem se queixando do pouco tempo reservado para o estudo em classe. Alguns professores chegam dizer, frustrados, que a aula terminou exatamente quando começava a tratar da melhor parte do seu conteúdo. A questão não é falta de tempo e sim de planejamento. Quando não há planejamento da aula, não importa o tempo a ela reservado, tudo sairá atabalhoadamente dando a impressão de que está faltando algo. Quando existe planejamento, mesmo que o tempo seja curto, haverá produtividade e satisfação na aula dada. O problema não é o tempo, reafirmo, mas o planejamento. O planejamento de uma aula para a Escola Dominical deve levar em consideração vários fatores.

Alguém precisa fazer algo!

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JANELA 10/40 é uma faixa da terra que se estende do Oeste da África, passa pelo Oriente Médio e vai até a Ásia. A partir da linha do equador, subindo forma um retângulo entre os graus 10 e 40. A esse retângulo denomina-se JANELA 10/40.Calcula-se que até hoje menos da metade da população mundial com as suas etnias e línguas tenham sido confrontadas com o evangelho. A outra parte, com sua maioria absoluta na Janela 10/40, representa uma grande multidão de cerca de 3,2 bilhões de pessoas que ainda são objetos dos empreendimentos missionários do povo de Deus.

DICAS PARA UMA LEITURA PROVEITOSA.

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. Então, aí vai dez dicas para ler sem esquecer, a primeira vista, muitas podem parecer óbvias. Mas não as subestime. Não é sempre que a gente enxerga o óbvio. 1- Não leia cansado nem ansioso. Se for o caso, faça exercícios de respiração antes de começar a leitura. O estresse é o inimigo número um da concentração e, em consequência, da memorização. 2- Tenha vontade de aprender o que será lido. 3- Se não tiver vontade de antemão, procure criar interesse pelo assunto. A curiosidade é a mola da humanidade. 4- Sublinhe as palavras mais importantes e as frases que expressem melhor a idéia central. 5- Analise as informações e crie relação entre elas, seja nas linhas de cima ou com tudo o que você aprendeu na vida, trazendo-as para o seu mundo. A associação de idéias é fundamental. 6- Leve sempre em conta coisas como: 1- Grau de dificuldade do texto (ler um gibi não é o mesmo que ler sobre filosofia). 2- Objetivo (Só querer agradar alguém, e mais nada, não é o melhor caminho para gravar uma informação. 3- Necessidade (querer ler é bem diferente de depender disso). 7- Faça perguntas ao texto e busque respostas nele. 8- Repita sempre, desde ler de novo até contar para laguém o que você leu. 9- Faça uma síntese mental. Organizar bem as idéias já é meio caminho andado. 10- A memória prefere imagens a palavras ou sons. Por isso, tente criar uma história com aquilo que está lendo, com cenas coloridas e movimentadas. Sammy Pulver comentou muito bem a sensação de quem descobriu e está experimentando os prazeres de uma boa leitura: Na vida nos ensinam a amar, a sorrir, a andar, a lutar, mas quando abrimos um livro, descobrimos que também podemos voar.