quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012


A Identidade da "Mulher" de Apocalipse 12

  É essencial esclarecer um aspecto da revelação profética ao lidar com Israel na tribulação: a identidade da "mulher" de Apocalipse 12. A tônica principal de Apocalipse 11.19-20.15 é o ataque de Satanás contra o povo com quem Deus está lidando naquela época. Esse ataque apare­ce no capítulo 13 por meio das bestas, que oferecem um falso Messias e um falso cumprimento da aliança de Abraão. Aparece nos capítulos 17 e 18 por meio de um sistema religioso apóstata, que afirma falsamente ser o reino de Deus. Aparece no capítulo 19 por meio da aliança das nações formada contra esse povo e seu Rei, e que o Senhor destrói na Sua vinda. Já que o movimento principal nessa passagem de Apocalipse é contrário a quem o capítulo 12 cita como a mulher, é importante iden­tificar a personagem que ocupa tão importante lugar no livro.
            Apocalipse 12 concentra-se em três personagens. Isso nos ajudará a identificar a mulher, o que é facilitado pelo próprio contexto.

            A. Um grande dragão vermelhoO versículo 9 identifica com clareza essa personagem. Ela é ninguém menos que Satanás. O capítulo 20, versículo 2, confirma a identificação. Satanás é revelado claramente como autor e instigador dos ataques contra o povo de Deus aqui des­crito no livro. Scott observa bem:
            Por que o dragão é usado como símbolo de Satanás? Faraó, rei do Egito, na sua crueldade contra o povo de Deus e na sua independência orgulho­sa e arrogante de Deus, é denominado "o grande dragão" (Ez 29.3,4). Nabucodonosor é mencionado da mesma forma em relação à sua violên­cia e crueldade (Jr 51.34). Juntando as várias referências bíblicas no Livro de Salmos e nos três primeiros grandes profetas ao crocodilo, o soberano dos mares, identificado com o dragão, a característica principal parece ser crueldade insaciável.
            Os egípcios consideravam o crocodilo ou o dra­gão, de acordo com seus hieróglifos, a fonte e o autor de todo mal, adora­do pelo nome de Typho. A cor do dragão, vermelho, indica seu caráter sanguinário e assassino. Essa é a primeira vez nas Escrituras que Satanás é mencionado diretamente como um dragão. Os monarcas pagãos, Faraó e Nabucodonosor, escravizaram e oprimiram o povo de Deus e, agindo pelo poder satânico, mereceram a denominação de dragão. Mas, no perío­do tratado no nosso capítulo, Satanás é o príncipe do mundo — seu go­vernador. O poder romano é o instrumento por meio do qual ele age. Logo, o título "grande dragão vermelho" pode agora pela primeira vez ser usado por ele. (Walter Scott, Exposition of the revelation of Jesus Christ, p. 249-50)

            O dragão aparece com sete cabeças, dez chifres e sete coroas nas cabeças (Ap 12.3), que são as mesmas que a besta possui nos capítulos 13 e 17. Afirma-se claramente em 13.2 que esse indivíduo recebe sua autoridade de Satanás. Isso nos mostra que Satanás está buscando uma autoridade governamental sobre o "remanescente" da mulher (12.7), cuja autoridade pertence, por direito, ao próprio Cristo.

            B. Um filho varãoA citação do salmo 2, que todos concordam ser um salmo messiânico, identifica o filho aqui com ninguém menos que Jesus Cristo. O fato do nascimento, o fato do destino desse filho, pois Ele "há de reger todas as nações com cetro de ferro", e o fato da ascen­são, já que ele é "arrebatado para Deus até ao seu trono", todos levam à identificação de uma pessoa, o Senhor Jesus Cristo, pois todas as três afirmações não poderiam ser feitas a respeito de ninguém mais.

            Uma mulher vestida do sol. Embora haja um acordo geral entre comentaristas de todas as tendências com relação à identidade dos dois indivíduos mencionados anteriormente, há grande diversidade de in­terpretações com relação à personagem principal dessa passagem.
           
            1. Existiram muitas falsas interpretações da identidade dessa mulher. Alguns crêem que ela era Maria. No entanto, a única característica que tornaria isso possível seria a maternidade, pois Maria jamais foi persegui­da, jamais fugiu para o deserto, jamais foi cuidada por 1260 dias. (Cf. F. C. Jennings, Studies in Revelation, p. 310-1) Outros acreditavam que essa mulher fosse a igreja que está trabalhando para tra­zer Cristo às nações.(Cf. Ford C. Ottman, The unfolding of the ages, p. 280)  Isso, no entanto, baseia-se no princípio alegorizador de interpretação e deve ser rejeitado. A igreja não produziu Cristo, mas Cristo produziu a igreja. Já que a igreja não é vista na terra nos capítulos de 4 a 19 de Apocalipse, ela não pode ser representada por essa mulher. Ou­tros identificaram a mulher como o líder de alguma denominação especí­fica. Mas somente pelos devaneios mais loucos da imaginação é que al­gum indivíduo seria levado a fazer essa interpretação hoje.       
           
            2. A interpretação dos pré-milenaristas dispensacionalistas tem sido que a mulher nessa passagem representa a nação de Israel. Há várias considerações que apóiam essa interpretação.
            a.  O contexto inteiro da passagem revela que João está lidando com a nação de Israel. Gaebelein escreve:
            Apocalipse, capítulos de 11 a 14, leva-nos profeticamente a Israel, à terra de Israel e à tribulação final de Israel, ao tempo da angústia de Jacó e à salva­ção do remanescente fiel. O cenário do capítulo 11 é "a grande cidade que, espiritualmente, se chama Sodoma e Egito, onde também o seu Senhor foi crucificado". Aquela cidade não é Roma, mas Jerusalém. O capítulo 12 co­meça uma profecia conectada, terminando com o capítulo 14. (Gaebelein, loc. cit)

            Grant comenta sobre Apocalipse 11.19: "A arca, então, vista no templo no céu, é o sinal da graça não esquecida de Deus para com Israel [...] ". (F. W. Grant, The revelation of Christ, p. 126Logo, o contexto dessa passagem mostra que Deus está lidando com Israel novamente. (Cf. Ottman, op. cit., p. 278-9.)

            b. Muitas vezes no Antigo Testamento, o sol, a lua e as estrelas são usados com referência a Israel. (Cf. Ibid., p. 282) São empregados dessa maneira em Gênesis 37.9, em que os filhos de Jacó são claramente entendidos. Compare Jeremias 31.35,36, Josué 10.12-14, Juizes 5.20 e Salmos 89.35-37, em que corpos celestiais são associados à história de Israel.

            c. O significado do número doze. O número doze não só represen­ta as doze tribos de Israel, mas é usado nas Escrituras como número governamental.(Cf. Jennings, op. cit., p. 312)  Darby diz:
            ... após a questão da salvação pessoal ou do relacionamento com Deus, dois grandes temas se apresentam nas Escrituras: a igreja, aquela graça soberana que nos dá um lugar junto ao próprio Cristo na glória e na bên­ção; e o governo de Deus do mundo, do qual Israel forma o centro e a esfera imediata. (Willíam Kelly, org. The collected writings of  J. N. Darby, Prophetical, Xi, p. 190)

            Visto então que a mulher representa aquilo que deverá demonstrar o governo divino na terra, e Israel é o instrumento escolhido por Deus para esse fim, essa mulher deve ser identificada como Israel.

            d. O uso do termo mulher. O termo mulher é usado oito vezes nesse capítulo, e mais oito vezes o pronome ela é empregado em referência à mulher. Vemos esse termo usado muitas vezes no Antigo Testamento, em referência à nação de Israel. É usado dessa maneira em Isaías 47.7-9; 54.5,6; Jeremias 4.31; Miquéias 4.9, 10; 5.3 e Isaías 66.7,8. Enquanto a igreja é chamada noiva, ou virgem casta, jamais a encontramos aludida como mulher.

            e. O nome do adversário. O nome dragão é usado em todo o Antigo Testamento em referência a algum adversário específico da nação de Israel. O nome deve ser aplicado a Satanás nesse capítulo porque todos os outros perseguidores que levaram o nome de dragão eram apenas prenúncios da grande perseguição que está por vir por meio de Sata­nás. O uso do nome dragão em referência ao perseguidor identificaria o perseguido como Israel, com base nos empregos anteriores na Palavra de Deus.

            f. O uso do termo deserto. O deserto é aludido como lugar de refú­gio dado à mulher na sua fuga (Ap 12.14). Não podemos negar que o deserto tem referência singular a Israel na história nacional. Israel foi levado ao "deserto da terra do Egito" (Ez 20.36). Israel, recusando-se a seguir o Senhor na terra prometida, retornou ao deserto por quarenta anos. A descrença de Israel levou Ezequiel a declarar o propósito de Deus: "Levar-vos-ei ao deserto dos povos e ali entrarei em juízo convosco, face a face" (Ez 20.35). Oséias revela que, no longo período em que Israel passaria "no deserto", Deus seria misericordioso com eles (Os 2.14-23). (Cf. W. C. Stevens, Revelation, crown-jewel of prophecy, n, p. 212-3)

            g. O filho varão. O paralelismo entre Apocalipse 12 e Miquéias 5 ajuda a identificar a mulher como Israel. Miquéias 5.2 registra o nasci­mento do rei. Por causa da rejeição desse rei, a nação será deixada de lado ("Portanto, o Senhor os entregará", Mq 5.3). A nação estará em dores de parto "até ao tempo em que a que está em dores tiver dado à luz" (Mq 5.3), isto é, até o cumprimento do propósito de Deus. O mes­mo plano é apresentado em Apocalipse 12. Kelly escreve que essa pro­fecia deve ser entendida
            ... junto com o cumprimento do propósito de Deus em relação a Israel [...] Cristo nasceu (Mq 5.2): daí vem a Sua rejeição [...] a profecia deixa de lado tudo o que se relaciona à igreja e retoma o nascimento de Cristo figuradamente, ligando-o ao desenrolar do propósito divino, simboliza­do por um nascimento [...] Aqui ele é colocado figuradamente, como Sião em trabalho de parto até o nascimento desse grande propósito de Deus relativo a Israel [...] quando o propósito terreno de Deus começa a entrar em ação nos últimos dias, o remanescente daquele período fará parte de Israel e tomará seu antigo lugar judeu. Os ramos naturais serão enxertados em sua própria oliveira. (William Kelly, Lectures on the revelation, p. 254-7)

            h. A afirmação específica das Escrituras. Em Romanos 9.4,5 Paulo escreve com relação aos israelitas: "deles descende o Cristo, segundo a carne" (Rm 9.5). Já que "o filho varão" pode ser identificado com certe­za, e já que aquela que dá a luz o filho varão é denominada Israel, a mulher deve ser identificada como Israel. (Cf. Otiman, loc. cit)

            i. Os 1 260 dias. Duas vezes nessa passagem há menção ao período de três anos e meio (Ap 12.6,14). Isso se refere à última metade da se­mana das profecias da septuagésima semana de Daniel (Dn 9.24-27). Essa profecia é declarada especificamente "sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade" (Dn 9.24). Visto que ela é declarada a Daniel, só poderia referir-se a Israel e a Jerusalém. Cada vez que esse período é mencio­nado nas Escrituras, ou como 1 260 dias, ou 42 meses, ou três anos e meio, ou um tempo, dois tempos e metade dum tempo, sempre se refe­re a Israel e a um período em que Deus está lidando com aquela nação.

            j. A referência a Miguel. Em Daniel 12.1 o anjo Miguel é chamado "o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo". Miguel está unido com o destino da nação de Israel por essa palavra do Senhor a Daniel. Em Apocalipse 12.7 Miguel aparece novamente com referência à peleja no céu. O fato de que Miguel surge em cena mostra que Deus está lidando novamente com a nação de Israel, e Miguel é um ator aqui porque o destino de Israel está em jogo.
            À vista dessas coisas, a conclusão de Moorehead é justificada. Ele escreve:
            Em 11.19 lemos: "Abriu-se, então, o santuário de Deus, que se acha no céu, e foi vista a arca da Aliança no seu santuário". Isso é assunto estrita­mente judeu; o templo, a arca, a aliança pertencem a Israel, representam os relacionamentos hebraicos com Deus e os privilégios hebraicos. O Es­pírito agora trata de coisas judaicas — posição, aliança, esperanças, peri­gos, tribulações e triunfo hebraico. (William G. Moorehead, Studies in the Book of Revelation, p. 90)

            A mulher não pode ser ninguém senão Israel, com quem Deus firmou Suas alianças, e a quem esses alianças serão cumpridas.




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... A BÍBLIA É O FENÔMENO EXPLICÁVEL APENAS DE UM MODO – ELA É A PALAVRA DE DEUS...

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O fato de que Deus nos deu a Bíblia é evidencia e exemplo de seu amor por nos, nos ensinando a manter um relacionamento correto com Deus, mas como podemos ter evidencias de que a Bíblia é mesmo a palavra infalível de Deus e não simplesmente um bom livro? O que é único na Bíblia que a separa dos demais livros escritos até hoje? A Bíblia é a verdadeira Palavra de Deus, divinamente inspirada, e totalmente suficiente para todas as questões de fé e prática. Não pode haver duvidas sobre a veracidade bíblica. Ela não é um livro que um homem escreveria se pudesse, ou que poderia escrever se quisesse.

QUE TEMPO CURTO!

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Se for ensinar, haja dedicação ao ensino (Rm 12.7b). Quase todos nós já passamos pela experiência de ver um professor da Escola Dominical ser surpreendido pelo soar do sinal anunciando o término da aula. Muitos são os professores e alunos que vivem se queixando do pouco tempo reservado para o estudo em classe. Alguns professores chegam dizer, frustrados, que a aula terminou exatamente quando começava a tratar da melhor parte do seu conteúdo. A questão não é falta de tempo e sim de planejamento. Quando não há planejamento da aula, não importa o tempo a ela reservado, tudo sairá atabalhoadamente dando a impressão de que está faltando algo. Quando existe planejamento, mesmo que o tempo seja curto, haverá produtividade e satisfação na aula dada. O problema não é o tempo, reafirmo, mas o planejamento. O planejamento de uma aula para a Escola Dominical deve levar em consideração vários fatores.

Alguém precisa fazer algo!

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JANELA 10/40 é uma faixa da terra que se estende do Oeste da África, passa pelo Oriente Médio e vai até a Ásia. A partir da linha do equador, subindo forma um retângulo entre os graus 10 e 40. A esse retângulo denomina-se JANELA 10/40.Calcula-se que até hoje menos da metade da população mundial com as suas etnias e línguas tenham sido confrontadas com o evangelho. A outra parte, com sua maioria absoluta na Janela 10/40, representa uma grande multidão de cerca de 3,2 bilhões de pessoas que ainda são objetos dos empreendimentos missionários do povo de Deus.

DICAS PARA UMA LEITURA PROVEITOSA.

DICAS PARA UMA LEITURA PROVEITOSA.
. Então, aí vai dez dicas para ler sem esquecer, a primeira vista, muitas podem parecer óbvias. Mas não as subestime. Não é sempre que a gente enxerga o óbvio. 1- Não leia cansado nem ansioso. Se for o caso, faça exercícios de respiração antes de começar a leitura. O estresse é o inimigo número um da concentração e, em consequência, da memorização. 2- Tenha vontade de aprender o que será lido. 3- Se não tiver vontade de antemão, procure criar interesse pelo assunto. A curiosidade é a mola da humanidade. 4- Sublinhe as palavras mais importantes e as frases que expressem melhor a idéia central. 5- Analise as informações e crie relação entre elas, seja nas linhas de cima ou com tudo o que você aprendeu na vida, trazendo-as para o seu mundo. A associação de idéias é fundamental. 6- Leve sempre em conta coisas como: 1- Grau de dificuldade do texto (ler um gibi não é o mesmo que ler sobre filosofia). 2- Objetivo (Só querer agradar alguém, e mais nada, não é o melhor caminho para gravar uma informação. 3- Necessidade (querer ler é bem diferente de depender disso). 7- Faça perguntas ao texto e busque respostas nele. 8- Repita sempre, desde ler de novo até contar para laguém o que você leu. 9- Faça uma síntese mental. Organizar bem as idéias já é meio caminho andado. 10- A memória prefere imagens a palavras ou sons. Por isso, tente criar uma história com aquilo que está lendo, com cenas coloridas e movimentadas. Sammy Pulver comentou muito bem a sensação de quem descobriu e está experimentando os prazeres de uma boa leitura: Na vida nos ensinam a amar, a sorrir, a andar, a lutar, mas quando abrimos um livro, descobrimos que também podemos voar.