TEXTO BIBLÍCO:
“E que mais direi ainda? Porque o tempo me
faltará, se eu falar de Gideão, de Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel
e dos profetas, que pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram
as promessas, taparam as bocas dos leões, extinguiram a violência do fogo,
evitaram o fio da espada, de fracos tornaram-se fortes, fizeram-se poderosos na
guerra, puseram em fugida os exércitos de estrangeiros. As mulheres receberam
pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu
livramento para alcançarem melhor ressurreição; e outros experimentaram
escárnios, açoites e ainda grilhões e prisão; eles foram apedrejados, provados,
serrados pelo meio, mortos ao fio da espada; eles andaram errantes, vestidos de
peles de ovelhas e de cabras, necessitados, aflitos, maltratados, uns homens
(de quem o mundo não era digno) errantes nos desertos, nos montes, nas covas e
nas cavernas da terra. Todos estes, tendo alcançado bom testemunho pela sua fé,
contudo não alcançaram a promessa, tendo Deus provido alguma coisa melhor no
tocante a nós, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados.”(Hb 11.32-40)
Tácito assim descreve as perseguições aos cristãos na época de
Nero:
"Alguns foram vestidos com peles de
animais ferozes, e perseguidos por cães até serem mortos; outros foram
crucificados; outros envolvidos em panos alcatroados, e depois incendiados ao
pôr-do-sol, para que pudessem servir de luzes para iluminar a cidade durante a
noite".
MARTÍRIO DE POLICARPO
A maior força
da tempestade que se aproximava sentiu-se na Ásia Menor, onde saíram os novos
editos, e o nome de Policarpo, bispo em Esmirna, apareceu brilhantemente na
lista dos mártires daquele tempo. Ao contrário de Inácio que se expunha
desnecessariamente à vontade cega da populaça, Policarpo não recusou escutar os
conselhos e pedidos dos seus amigos, e quando viu que estava sendo espiado em
Esmirna retirou-se para uma aldeia próxima, e ali continuou o seu trabalho.
Sendo
perseguido, foi para outra aldeia, exortando o povo que se encontrava no seu
caminho; e assim foi vivendo dessa maneira errante até que os seus inimigos
descobriram o lugar onde se refugiava. Então o velho bispo (avisado, segundo
dizem, num sonho de que deveria glorificar a Deus, sofrendo morte de mártir)
resignou-se com paciência à vontade de Deus, e entregou o seu corpo às mãos
dos oficiais encarregados de o prenderem. Antes de deixar a casa, deu ordem
para que lhes dessem de comer; e, em seguida, parecendo saber antecipadamente
o que esperava, encomendou-se a Deus. Diz-se que o fervor de sua oração comoveu
de tal maneira os oficiais que eles se arrependeram de ser os instrumentos da
sua captura. Montaram-no num jumento, e trouxeram-no para Esmirna, onde estava
reunida uma grande multidão para celebrar a festa dos pães asmos.
Por
consideração pela sua idade avançada e pela sua sabedoria, Nicites, homem de
grande influência, e seu filho Herodes, oficial da cidade, foram ao seu
encontro e, fazendo-o entrar no seu carro, instaram com ele para que assegurasse
a sua liberdade, tributando honras a César e consentindo em oferecer
sacrifícios aos deuses. Ele recusou-se a isto e, por esse motivo, foi
empurrado do carro com tal violência abaixo que na queda torceu uma coxa. Mas o
velho servo de Deus continuou pacificamente o seu caminho, sem se perturbar com
a rudeza de Herodes, indiferente aos gritos da multidão que, no seu ódio,
empurrava-o de um lado para outro; e deste modo chegaram à arena.
POLICARPO E O GOVERNADOR
Era este o
sítio onde tinham chegado os jogos e exposições sagradas; e conta-se que na
ocasião de entrar na arena, uma voz, como que vinda do céu, exclamou: "Sê
forte Policarpo, e porta-te como um homem". Seja como for, um poder que
não era humano susteve o servo de Deus, e quando o cônsul, comovido com o seu
aspecto venerável, pediu-lhe que jurasse pela alma de César, e dissesse:
"Fora com os ímpios!" O velho mártir, apontando para os bancos cheios
de gente, repetiu com tristeza: "Fora com os ímpios!" "Jurai",
disse o governador, compadecido, "e eu vos mandarei embora. Renegai a
Cristo." Mas Policarpo respondeu com brandura: "Tenho-o servido
durante oitenta e sete anos, e nunca Ele me fez mal. Como posso eu agora
blasfemar contra o meu Rei e Salvador?"
"Jurai
pela alma de César", repetiu o governador ainda inclinado à compaixão, mas
Policarpo respondeu: "Se julgais que hei de jurar pela alma de César como
dizeis, e fingis não saber quem eu sou, ouvi a minha confissão livre: sou
cristão; e se desejais conhecer a doutrina do cristianismo, concedei-me um dia
para falar-vos e escutai-me". 0 governador, notando com inquietação o
clamor da multidão, pediu ao ancião que abjurasse sua fé, mas Policarpo se
negou a fazer isso. Tinham-lhe ensinado a honrar os poderes superiores, e
sujeitar-se a eles porque eram ordenados por Deus, mas quanto ao povo,
principalmente no estado atual de turbulência em que se encontrava, nada lhe apresentaria
em sua defesa. "Tenho à mão animais ferozes", disse o governador,
"lançar-vos-ei a eles, se não mudardes de opinião" - "Mandai-os
vir", disse Policarpo tranqüilamente.
O velho
peregrino alegrava-se com a perspectiva de se ver prontamente livre de um mundo
ímpio e cheio de perseguições, e sua tranqüila intrepidez exasperou o governador,
que por esse motivo ameaçou queimá-lo, mas o intrépido Policarpo respondeu:
"Ameaçais-me com o fogo que arde por um momento, e depressa se apaga, mas
nada sabeis da pena futura, e do fogo eterno reservado aos ímpios".
O governador
perdeu completamente a paciência, mandou um arauto apregoar no meio da arena:
"Policarpo é cristão". Esta proclamação foi repetida três vezes, como
era de costume e a raiva da população chegou ao auge. Viram no velho
prisioneiro um homem que tinha desprezado os seus deuses, e cujo ensino tinha
retirado o povo dos seus templos, e tornou-se geral o grito de: "Lancem
Policarpo aos leões!"
Mas a hora do
espetáculo já tinha passado, e o asiarca que tinha aos seus cuidados os
espetáculos públicos recusou-se a fazer a vontade do povo. Se ainda estavam
dispostos a dar-lhe a morte, tinham de escolher qualquer outro dia: assim
pois, se ouviu imediatamente o grito para que Policarpo fosse queimado. A lenha
e a palha estavam ali à mão, e a vítima depois de ser despojada da sua capa,
foi levada às pressas para o poste. Queriam pregá-lo a ele, mas Policarpo
pediu-lhes para ser simplesmente atado, e concederam-lhe isso.
Tendo em
seguida recomendado a sua alma a Deus deu o sinal ao algoz, e este logo lançou
fogo à palha. Mas, diz a tradição, os acontecimentos maravilhosos do dia ainda
não tinham chegado ao seu fim. Por qualquer razão desconhecida, as chamas não
tocaram no corpo de Policarpo, e os espectadores, vendo-se enganados, olhavam
uns para os outros na maior admiração.
Contudo, o
ódio venceu a superstição, e pediram ao algoz que matasse a vítima a golpes de
espada. Assim se fez, o golpe fatal foi imediatamente dado, e naquele momento
de cruel martírio, o fiel servo do Senhor entregou a alma a Deus, e ficou para
sempre longe do alcance dos seus perseguidores.
NA ATUALIDADE
Não
vivemos mais nos três primeiros séculos da historia do cristianismo, a onde os
cristãos eram perseguidos, como vimos o relato da perseguição de Policarpo,
isso, no entanto, não anula a Idea de que não exista perseguição na atualidade.
Existem países que, ainda, perseguem aos cristãos como, por exemplo, a Coréia do
norte, China, Índia, Irã, Iraque, Afeganistão e nos países a onde há a presença
de seitas orientais, como o Islamismo, Budismo e Hinduísmo. Esta expressão perseguição soa de forma
estranha para nós que estamos no ocidente, isto se da pelo fato de gozarmos de
um governo democrático a onde os nossos direito são garantidos por leis.
No
final de 2009, o Pew fórum divulgou o relatório mundial sobre restrições à religião,
mostrando que quase 70% do total de 6,8 bilhões de habitantes do planeta vivem
em países em que as práticas religiosas sofrem altos níveis de restrição. Essa
conclusão veio de uma pesquisa feita em 198 países entre os anos de 2006e 2008.
(informações extraídas da revista portas abertas).
Admitir
e conhecer a realidade da perseguição é o primeiro passo para que a igreja se posicione
ao lado daqueles membros do corpo que
sofrem por seguir a Cristo e para que passe a agir em favor deles.
“Perseguição
é o sofrimento ou pressão mental, moral ou física que autoridades, indivíduos ou
grupos infligem a outros especialmente em razão de opiniões ou crenças, visando
a sua sujeição pela retratação o, pelo silencio ou, como ultimo recurso, pela
execução”. (Geoffrey Bromily, International Standard Bibli Encyclopedia)
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