A Bíblia diz que Jefté fez um voto a
Deus. Caso fosse bem sucedido na batalha contra os amonitas, ele ofereceria ao
Deus Jeová, em sacrifício o que primeiro que aparecesse em sua frente ao chegar
em sua casa. Aconteceu que ele derrotou os amonitas e ao chegar em casa sua
filha foi quem primeiro apareceu ao seu encontro. Isso está registrado em
Juízes 11.30-40. O texto diz que Jefté cumpriu o voto.
I.
Duas teorias
Há uma longa discussão sobre esse
sacrifício entre os expositores da Bíblia, que vem atravessando os séculos,
sobre o sentido de "cumpriu nela o seu voto que tinha feito; e ela não
conheceu varão" (v. 39). Uma linha de interpretação afirma que o
sacrifício foi literal; Muitos têm entendido que Jefté
ofereceu a vida de sua filha ao Senhor, dada a natureza inviolável de um voto
feito a Deus (cf. Ec 5:2-6). E mais, observam que um holocausto envolve o
sacrifício de uma vida, e justificam esse procedimento tendo por base que um
voto a Deus tem precedência sobre tudo o mais, até mesmo sobre a vida humana
(cf. Gn 22). Deus é soberano sobre a vida e a toma quando quer (Dt 32:39), como
finalmente o faz (Hb 9:27).
e outra, que foi o celibato, a moça sacrificou
a sua virgindade, não se casando, pois o texto diz: "deixai-me por dois
meses que vá, e chore a minha virgindade, eu e as minhas companheiras. E disse
ele: Vai. E deixou-a ir por dois meses. Então foi-se ela com as suas companheiras
e chorou a sua virgindade pelos montes" (vv 37, 38). Há ainda alguns
pontos que precisam ser considerados sobre essa questão.
O texto sagrado, em nenhum lugar,
afirma que Jeová mandou Jefté oferecer tal sacrifício, e da mesma maneira não
diz que Jeová aceitou o mesmo. Jefté fez um voto precipitado por sua própria
conta. Foi algo pessoal e voluntário. Acusar Jeová de uma coisa que a Bíblia
não diz que ele fez é muita ousadia, se é que o homem pode julgar a Deus!
Entretanto, por diversas razões, não é necessário admitir que Jefté tenha
oferecido um sacrifício de morte. A Bíblia diz que o sacrifício humano é abominável diante de
Jeová, logo se puder ser confirmado como literal o sacrifício da filha de
Jefté, somos obrigados a admitir que foi uma profanação e, como tal, foi
recusado por Jeová.
II.
Fatos que comprova a idéia de celibato:
1. Ele tinha consciência da lei contra o sacrifício humano, e se essa fosse
sua intenção quando fez o voto, um sacrifício humano, ele saberia que isso
teria sido uma clamorosa rejeição da lei de Deus. É inconcebível que Jefté ou
qualquer outro israelita pensasse que estaria agradando a Deus ao cometer essa
abominação terrível na presença do Senhor e em seu altar. "Não adorem o SENHOR,
o seu Deus, da maneira como fazem essas nações, porque, ao adorarem os seus
deuses, elas fazem todo tipo de coisas repugnantes que o SENHOR odeia como
queimar seus filhos e filhas no fogo em sacrifícios aos seus deuses.
Apliquem-se a fazer tudo o que eu lhes ordeno; não acrescentem nem tirem coisa
alguma" (Dt 12.31, 32). Lemos ainda em Deuteronômio 18.10-12: "Não permitam
que se ache alguém entre vocês que queime em sacrifício o seu filho ou a sua
filha; que pratique adivinhação, ou se dedique à magia, ou faça presságios, ou pratique
feitiçaria ou faça encantamentos; que seja médium, consulte os espíritos ou consulte
os mortos. O SENHOR tem repugnância por quem pratica essas coisas, e é por causa
dessas abominações que o SENHOR, O seu Deus, vai expulsar aquelas nações da presença
de vocês". Em vista da proibição divina e aversão de Iavé a essa prática,
o fato de Jefté haver assumido tal responsabilidade seria equivalente a Deus
ter renunciado completamente a sua soberania. Seria como repudiar a própria
aliança, que exigia de Israel fosse santidade ao Senhor.
2. Igualmente incrível é a idéia de
que Deus, sabendo antecipadamente que Jefté teria a intenção de quebrar dessa
forma sua lei e de pisotear sua aliança com Israel, apesar de tudo lhe
concederia a vitória sobre os inimigos. A analise desse evento nesses termos
envolveria uma dificuldade teológica insuperável, pois implicaria admitir um
comprometimento sem esperança de integridade da parte do próprio Deus. O texto não diz ter ele realmente matado sua filha como holocausto. Isto é
apenas inferido por alguns porque ele tinha prometido que quem quer que
primeiro saísse de sua casa seria oferecido ao Senhor "em holocausto"
(11:31). Como Paulo mostrou, os seres humanos devem ser oferecidos a Deus como
um "sacrifício vivo" (Rm 12:1), e não como sacrifício de mortos. É
possível que Jefté tenha oferecido sua filha ao Senhor como um sacrifício vivo.
Por todo o resto de sua vida ela serviria ao Senhor na casa do Senhor e
permaneceria virgem.
3.
um sacrifício vivo de perpétua virgindade era um sacrifício
tremendo no contexto judaico daqueles dias. Fazendo alguém voto de perpétua
castidade, e sendo dedicada ao serviço do Senhor, ela não poderia jamais ter
filhos e assim dar continuidade à linhagem familiar de seu pai. Jefté agiu com
muita honra e grande fé no Senhor, não voltando atrás em relação ao voto que
ele havia feito ao Senhor seu Deus.
Conclusão: Finalmente, se ela
tivesse de enfrentar a morte ao fim dos dois meses, teria sido muito simples
para ela casar-se com alguém e viver com essa pessoa durante os dois meses que
antecederiam sua morte. Não havia razão para a filha de Jefté lastimar pela sua
virgindade, a menos que estivesse com a perspectiva de viver toda uma vida
nessa condição. Com Jefté não tinha outros filhos, sua filha não se lamentou
acerca de sua virgindade por causa de nenhum desejo sexual ilícito.
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