Esta parte da letra da canção também é
muito controversa: "Entra na minha casa, entra na minha vida". Por
quê? Porque não foi Zaqueu quem convidou o Senhor Jesus para entrar em sua
casa. Foi Ele quem ordenou: "Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém
pousar em tua casa" (Lc 19.5).
— Olá, querida! Prepare uma refeição
para esse homem e seus discípulos.
— Por que você não me avisou que havia
convidado os seus amigos para o almoço?
— responde sua esposa, com surpresa.
— Eu não os convidei. Foi este Homem
que se convidou! E evidente que, se o episódio tivesse acontecido nos dias
de hoje, Zaqueu teria ligado do celular para avisar a sua esposa... Mas
observe que Jesus não precisou do
convite de Zaqueu para entrar em sua casa. Ele, como Senhor, entrou na casa
desse pecador e declarou: "Hoje veio salvação a esta casa" (Lc 19.9).
Ninguém havia explicado a Zaqueu o plano da salvação! Quando ele foi salvo?
Quando obedeceu ao Senhor! No instante em que desceu daquela árvore, colocou-se
sob o senhorio de Cristo.
Como se vê, o hit em apreço não priori/a a obra que
Jesus faz na vida do pecador (cristocentrismo), dando maior atenção ao que o
ser humano faz para conseguir o que deseja (antropocentrismo). Ou seja, a
composição enfatiza mais a autoajuda do que a Ajuda do Alto. E não é só isso.
Considerando que esse "louvor" tem sido cantado nos templos,
pelos salvos em Cristo, pergunto: Por que um verdadeiro adorador, um servo de
Deus — alguém que
louva a Jesus de verdade, sendo habitação do Senhor — cantaria "Entra na
minha vida?" Segundo a Palavra, já somos moradas de Deus (Jo 14.23; 1 Co
6.19,20). O servo de Cristo não precisa pedir para Ele entrar em sua vida, a
menos que esteja desviado. E que ninguém diga que isso é licença poética, pois
tudo tem limite.
Em resumo, e ao contrário do que é
enfatizado na canção em análise, o que se destaca na história do miserável
pecador Zaqueu é o fato de ele ter atendido a chamada do Maravilhoso Salvador
Jesus Cristo ao descer do sicômoro (Lc 19.6). Ao subir, ele ainda era um
pecador perdido. Mas, na descida, encontrou-se de fato com o Salvador e
tornou-se um pecador regenerado (Jo 3.3; 2 Co 5.17).
Que os pecadores, à semelhança de
Zaqueu, desçam, humilhem-se, a fim de receberem a gloriosa salvação em Cristo
(Lc 18.9-14). Quanto a nós, os salvos, os verdadeiros adoradores, em vez de
subirmos o mais alto que pudermos, que também desçamos a cada dia,
humilhando-nos debaixo da potente mão de Deus (1 Pe 5.6), a fim de que Ele nos
ouça e nos abençoe (2 Cr 7.14,15).
Bem, falando em descer, no sentido de se humilhar, você sabia que existem crentes exaltados
que fazem questão de dizer aos seus desafetos que a sua vitória tem sabor de
mel? É sobre isso que eu quero falar no próximo capítulo.
Niterói, agosto de
2009
Ciro Sanches
Zibordi, pastor
www.cirozibordi.blogspot.com

Um comentário:
Olá...
Gostei muito dessa postagem, mas o que acontece com nós evangélicos que na grande maioria das vezes cantamos canções achando que estamos adorando a Deus e nem analisamos o que estamos louvando. O cenário evangélico está repleto de hinos de auto-ajuda e outros.
Que possamos cantar louvores que adorem e exaltem o nome do Senhor!
Abraços, Raquel Guimarães.
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